AMPUTAÇÃO GRAVE DE POLEGAR: RELATO DE CASO

Vol 1, 2021 - 139432
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: Desde 1962, quando Malt relatou o primeiro reimplante no mundo em Boston, muito se evoluiu no campo da microcirurgia. Reimplantar é a arte cirúrgica de retornar à vida um membro previamente amputado. A cirurgia é composta de etapas bem definidas com reconstrução sequencial de todas as estruturas cortadas. A sutura dos vasos a nível dos dedos exige fios de Nylon 10-0 (quase invisível ao olho humano) e uso de microscópio com aumento na casa de 16x. Responsável por 60?função da mão, amputação do polegar tem indicação absoluta, independente do nível do corte. A cirurgia deve ser realizada idealmente em até 6-12 horas, sob pena de insucesso. Para isso, são necessários hospitais com uma equipe especializada de Cirurgião de Mão de sobreaviso 24 horas. No Piauí, não existe um serviço oficial de reimplantes de sobreaviso, apesar de já existirem cirurgiões de mão capacitados para esse tipo de cirurgia. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 44 anos, marceneiro, destro, residente de Guarulhos-SP, deu entrada no pronto-socorro 4 horas após acidente com Makita. Ao exame: amputação do polegar esquerdo a nível do metacarpo, sem perfusão sanguínea e conectado por ilha de pele de cerca de 1,5 cm a nível da primeira comissura. À radiografia: descontinuidade com perda óssea a nível do 1º metacarpo. Realizou-se na sequência: fixação óssea, sutura de tendões extensores e flexores, retirada de enxerto de veia a nível do antebraço para reconstruir artéria do polegar com nylon 10-0, neurorrafia dos nervos digitais com Prolene 8-0 e sutura venosa com nylon 10-0. Após 6 horas de cirurgia, o polegar já estava novamente com fluxo sanguíneo. Paciente permaneceu internado, com 2 visitas médicas diárias na 1ª semana. Apesar de fluxo restaurado, na 4ª semana de pós-operatório, foi realizado adicionalmente um retalho fasciocutâneo baseado na artéria Interóssea Posterior do antebraço para cobertura da área, que evoluiu com necrose na base do polegar. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A taxa de sucesso do reimplante digital é alta se as indicações cirúrgicas forem respeitadas, em um tempo hábil e por uma equipe de cirurgiões de mão treinados. Existem alguns casos em que não deve ser feito o procedimento. Para sucesso dessa cirurgia, é importante fazer treinamento da população, acadêmicos e médicos quanto ao correto acondicionamento do coto amputado até que chegue à equipe especializada. Além da instauração de um serviço com equipe de sobreaviso formal para reimplantes no estado do Piauí.

Referências

BARBARY, S; DAP, F.; DAUTEL, G. Finger replantation: surgical technique and indications. Chirurgie de la Main, France, n. 32, p. 363-372, 2013. MOLSKI, M. Replantation of fingers and hands after avulsion and crush injuries. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery, n. 60, p. 748-754, 2007.

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Piauí
Eixo Temático
  • ORTOPEDIA
Palavras-chave
Amputação
polegar
reimplante.