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Resumo

INTRODUÇÃO: o transplante renal (TxR) por doador vivo (DV) ou falecido (DF) é o principal transplante de órgão sólido no Brasil, beneficiando pacientes com doença renal crônica. Teme-se a complicação pelo risco de perda do enxerto. A permanência e a mortalidade hospitalares dependem de essas complicações ocorrerem. Assim, conhecer a série histórica de transplantes renais no Piauí e seus desfechos hospitalares é necessário, pois poderá reorientar essa linha de cuidado. OBJETIVO: conhecer a epidemiologia hospitalar relacionada ao TxR no Piauí. MÉTODOS: estudo ecológico tipo série temporal sobre internações e desfechos hospitalares para TxR de 2008 a 2023 a partir do SIH/SUS acessado em 24/06/2024 através dos códigos de procedimento SIGTAP 05.05.02.009-2 transplante de rim (órgão de doador falecido) e 05.05.02.010-6 transplante de rim (órgão de doador vivo). Analisaram-se, através do MedCalc v. 22.021, a média de permanência (dias de internação/AIH aprovada), taxa de mortalidade hospitalar (óbitos/AIH paga), tipo de TxR (DV e DF) e procedência dos clientes transplantados. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Houve 516 internações, sendo a média anual de 32,19 ± 8,6 TxR/ano, dos quais 68% foram TxR-DF e 32% TxR-DV. Quanto à procedência, 54% vieram da grande Teresina. Apesar da redução em TxR-DV em 95,4%, houve um aumento global na taxa de TxR em 17,8?m TxR-DF em 433,3%. Os centros transplantadores foram o Hospital Getúlio Vargas (51%), Casamater (44%) e Hospital Santa Maria (6%). A média permanência na série foram 15,8 diárias/AIH, tendo sido maior em hospital público (21,8) do que em hospital privado (14,4), maior em TxR-DF (17) do que em TxR-DV (13,4) e maior àqueles de fora da região metropolitana (16,4) do que àqueles provenientes da grande Teresina (15,4). A taxa de mortalidade hospitalar na série foi 1,94 óbito/AIH, tendo sido maior em hospital privado (3,18) do que em hospital público (2,38), maior em TxR-DF (2,27) do que em TxR-DV (1,22) e maior àqueles provenientes da grande Teresina (2,14) do que àqueles de fora da região metropolitana (1,69). No Brasil, o tipo de TxR mais frequente é por DF, mas tem havido aumento nas taxas de TxR-DV. O aumento baseado no DV envolve o crescimento da utilização de doadores não aparentados e a doação renal pareada, que tem sido uma ferramenta utilizada para superar a incompatibilidade imunológica. As complicações podem ser patológicas ou cirúrgicas. As patológicas incluem rejeição, infecção ou eventos cardiovasculares, enquanto as cirúrgicas envolvem as vasculares, as urológicas e a linfocele. No geral, essas intercorrências são a causa de prolongamento de internação e óbito hospitalar. CONCLUSÃO: o TxR no Piauí de 2008 a 2023 apresentou uma permanência média maior em hospital público, entre procedentes de fora da região metropolitana e em TxR-DF bem como uma taxa de mortalidade hospitalar maior em hospital privado, em TxR-DF e em procedentes da grande Teresina. O TxR-DV no Piauí tem se tornando menos frequente, diferindo do painel nacional. Desse modo, urgem estudos individuados que permitam identificar as causas dessas divergências e reorientem as linhas de cuidados em TxR no Piauí.

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Eixo Temático
  • NEFROLOGIA