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INTRODUÇÃO: A toxoplasmose, uma parasitose que se torna ainda mais preocupante caso adquirida no primeiro trimestre gestacional, por ser transmitida ao feto pela placenta. Essa infecção, geralmente, é assintomática e pode ser adquirida ao ingerir água, frutas ou verduras mal lavadas, contaminadas pelas fezes de gatos e outros felinos que contenham oocistos do protozoário Toxoplasma gondii. O diagnóstico, majoritariamente, é feito por meio de testes sorológicos que detectam a presença de Imunoglobulina G (fase crônica da doença) e Imunoglobulina M (fase aguda da doença). OBJETIVOS: Analisar o perfil epidemiológico dos casos de toxoplasmose gestacional no Piauí no período de 2019-2023. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico, longitudinal, retrospectivo e descritivo, cujos dados, em relação ao número de novos casos de toxoplasmose gestacional no recorte temporal de 2019 a 2022, foram retirados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Totalizaram-se 1097 casos de toxoplasmose gestacional entre 2019 e 2023 no Piauí. Em 2019 registrou-se 93 casos, enquanto em 2023, 395 casos, o que demonstra um aumento de 324%. Em relação à escolaridade, as gestantes detentoras de Ensino Médio incompleto foram as mais acometidas, com 228 casos (20,7%), isso demonstra que a baixa escolaridade dificulta o acesso a informações, especialmente, sobre a prevenção da toxoplasmose, além desse parâmetro está associado à vulnerabilidades socioeconômicas, como a baixa renda e fatores infraestruturais, o que resulta na grande quantidade de casos nesse grupo. Enquanto, as menos acometidas foram as analfabetas, com 1 caso (0,09%), consequência da desinformação e da dificuldade de acesso dessa parcela social à consultas pré-natais ou de rotina, nas quais o diagnóstico dessa enfermidade poderia ser realizado, demonstrando a existência de uma subnotificação desses registros, o que interfere no tratamento e no bom prognóstico da paciente podendo ocasionar problemas na gestação e o mal desenvolvimento fetal. Somado a isso, no que se refere a raça, a mais atingida foi a parda, com 664 casos, enquanto a menos atingida foi a indígena com 4 casos, consequência do sistema de saúde não conseguir abranger essa parcela populacional, em razão do difícil acesso às áreas residenciais e da sua histórica marginalização social, o que interfere diretamente na precariedade do acesso à informação e a medidas de prevenção e tratamento. Outrossim, o trimestre gestacional em que mais gestantes foram afetadas foi o terceiro com 657 casos (59,8%), indicando tanto uma fragilidade na qualidade das consultas pré-natais, quanto na demora de muitas gestantes em procurarem acompanhamento gestacional. CONCLUSÃO: Concluiu-se que houve aumento relevante no número de casos de toxoplasmose gestacional no período analisado, desse modo enfatiza-se a necessidade de mais instruções acerca da profilaxia da toxoplasmose gestacional, sobretudo para população vulnerável, prevenindo consequências patológicas às gestantes e ao feto em desenvolvimento. Além disso, deve-se considerar aumentar o alcance do sistema de saúde de qualidade a áreas mais isoladas e precarizadas, a fim de assistir uma população marginalizada, a exemplo da indígena.
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