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INTRODUÇÃO: A hidrocefalia se manifesta como acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos cerebrais, levando à dilatação ventricular e aumento da pressão intracraniana. Se não for tratada, leva a morbidade e mortalidade infantil significativas. OBJETIVOS: Analisar os casos de hidrocefalia no Brasil durante o período de 2000 a 2023. MÉTODOS: Estudo ecológico utilizando dados do Sistema Nacional de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) (2000-2023). Foram calculadas as taxas de prevalência e mortalidade infantil para malformações congênitas (CID Q00-Q99). A análise envolveu regressão linear simples, correlação de Pearson e teste de variância ANOVA entre faixas etárias usando GraphPad Prism 9. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No período do estudo foram registrados 18.484 casos de hidrocefalia, representando 29,22% das malformações do sistema nervoso (Q00-Q07), com prevalência de 2,65/10.000 nascidos vivos. Foi encontrada correlação negativa significativa entre prevalência e ano (r=-0,47, p=0,0179), com regressão linear simples sugerindo uma diminuição média de 11 casos por ano (0,80%). Foram registrados 6.501 óbitos infantis no período do estudo, representando uma taxa de mortalidade de 35%, com regressão linear simples sugerindo uma diminuição média de 10 óbitos por ano (1,98%). O teste ANOVA entre as taxas de mortalidade das três faixas etárias infantis indicou diferença estatisticamente significativa entre as médias de mortalidade neonatal precoce, neonatal tardia e pós-neonatal por hidrocefalia congênita no Brasil (p<0,0001). A maior parte da variação dos dados poderia ser explicada pela diferença entre os grupos (R²=0,6942). Além disso, houve diferenças significativas nas variâncias entre os grupos (p<0,05). A faixa etária pós-neonatal foi a mais afetada, com 3.532 óbitos (54,33%), seguida da faixa neonatal com 2.969 óbitos (neonatal precoce com 1.978 óbitos, 30,43%, e neonatal tardia com 991 óbitos, 15,24%). Após teste ANOVA entre as prevalências das regiões, verificou-se que não há diferença estatisticamente significante (p=0,3875). Em relação à mortalidade, os dados diferem estatisticamente por fatores demográficos (p<0,0001), sendo a região Centro-Oeste com maior percentual de óbitos (27,43%), seguida das regiões Norte (26,49%), Nordeste (19,00%), Sul (18,26%) e Sudeste (13,74%). CONCLUSÃO: A análise sugere uma tendência decrescente, mais pronunciada no período pós-pandemia, que pode ser atribuída a uma diminuição na eficiência da notificação durante este período e a uma diminuição no número de nascimentos. Além disso, os dados sugerem um tratamento inadequado desta condição, uma vez que a mortalidade em crianças que recebem tratamento adequado no prazo de três anos é de apenas 10%, de acordo com estudos. Esses resultados enfatizam a necessidade crítica de monitoramento contínuo e intervenções direcionadas para diminuir a incidência e a mortalidade da hidrocefalia congênita, avançando significativamente a saúde neonatal no Brasil.
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