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INTRODUÇÃO: Os transtornos mentais relacionados ao trabalho são aqueles originados de circunstâncias do ambiente de trabalho, decorrentes de elementos específicos como a exposição a certos agentes nocivos, até a complexa combinação de fatores relacionados à organização do trabalho, como a divisão e fragmentação das atividades, as políticas de gestão de pessoal, assédio moral e a estrutura hierárquica da organização. Em condições de vulnerabilidade é propício ao desenvolvimento de transtornos mentais no indivíduo. OBJETIVOS: Avaliar a incidência de transtornos mentais relacionados ao trabalho no nordeste brasileiro bem como seus desfechos. MÉTODOS: Estudo epidemiológico de caráter descritivo, realizado no período de janeiro de 2012 a dezembro de 2023, relativo aos transtornos mentais relacionados ao trabalho, com base em informações adquiridas no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram analisados os seguintes parâmetros: sexo, escolaridade, diagnóstico específico, tempo de exposição e evolução do caso. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A maioria dos casos notificados no nordeste do Brasil foram relacionados ao sexo feminino, totalizando 3662 (58,65%) dos casos, devido provavelmente às alterações no sistema endócrino que ocorrem no período pré-menstrual, pós-parto e menopausa. Quanto à escolaridade 1873 (38,71%) dos casos são referentes à educação superior completa, enquanto que a menor parcela foram de pessoas não alfabetizadas totalizando um total de 18 (0,37%) pessoas, devido provavelmente ao fato das habilidades exigidas em empregos que exigem esses níveis de aprendizado. Com relação ao diagnóstico, evidencia-se que 2419 (48,47%) estão relacionados a transtornos neuróticos e transtornos relacionados com estresse e somáticos, enquanto que 27 (0,54%) dos casos estão relacionados com transtornos mentais orgânicos, já que é um ambiente com muitas exigências e competitividade. Ademais, com relação ao tempo de evolução, 3778 (82,72%) dos casos tiveram um tempo de evolução de anos, porém 68 (1,48%) tiveram sua evolução em dias, o que revela um comportamento crônico desses transtornos no ambiente de trabalho. Por fim, em referência à evolução do caso, a maioria das pessoas evoluiu para incapacidade temporária, sendo ao todo 4299 (86,20%) dos casos, ao passo que 35 (0,70%) dos casos evoluiu para incapacidade permanente total, assim, mostra-se necessário que para que o indivíduo melhore a saúde, deve se afastar do ambiente que causa o mal-estar. CONCLUSÃO: Observa-se como principal grupo vulnerável os indivíduos do sexo feminino com educação superior completa, apresentando transtornos neuróticos e transtornos relacionados com estresse e somáticos com comportamento crônico e evolução para incapacidade temporária. Dessa forma, recomenda-se o fortalecimento das políticas públicas e o aprimoramento das organizações de representação trabalhista, a fim de possibilitar a superação dos estigmas e acolhimento a esse grupo.
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