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INTRODUÇÃO: A sífilis adquirida é uma doença infecciosa bacteriana, sexualmente transmissível, cujo agente etiológico é a espiroqueta Treponema pallidum. Configura como uma doença de notificação compulsória, devido à capacidade de se espalhar rapidamente e ao potencial de causar sérias complicações de saúde, podendo comprometer gravemente a visão, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a sífilis é uma das infecções bacterianas mais comuns em todo o mundo, com estimativa de milhões de novos casos a cada ano, o que demonstra sua incidência global, bem como a relevância de estudos acerca dessa temática para melhor bem-estar da população.OBJETIVOS: Traçar o perfil epidemiológico da sífilis adquirida no estado do Piauí, no período de 2013 a 2023. MÉTODOS: Pesquisa retrospectiva, quantitativa e descritiva, com base nos dados obtidos dos casos de sífilis adquirida no SINAN-DATASUS no período de 2013 a 2023, onde foram analisadas as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, raça, escolaridade e evolução dos casos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No total, foram notificados 5.906 casos de sífilis adquirida no estado do Piauí. Destes, 3.576 (60,55 %) ocorreram em pessoas do sexo masculino. A faixa etária prevalente foi a de 20 a 39 anos, com 3.292 casos (55,74%). A raça parda foi a de maior prevalência, apresentando 4.076 casos (69,01%). No que tange a escolaridade, os indivíduos analfabetos apresentaram maior prevalência com 4.537 casos(76,82%). Em relação à evolução da doença, 2.929 casos (49,59%) obtiveram cura e apenas 5 casos (0,085%) vieram a óbito pelo agravo notificado e 2944 casos (49,85%) das notificações tiveram essa informação ignorada. O ano de 2019 representou o pico das notificações, com 1.134 casos (19,2%).CONCLUSÃO: A análise dos dados demonstrou que os mais afetados foram os homens, na faixa etária de 20 a 39 anos, fato ratificado pela menor busca do serviço de saúde e pelo maior comportamento sexual de risco desse grupo. A raça parda prevalece em relação às outras, devido a fatores socioculturais e históricos da população piauiense. Ademais, a baixa escolaridade implica no aumento do risco de contrair sífilis, visto que nesse grupo há menor adesão ao uso de preservativo e às campanhas de prevenção. As poucas evoluções para óbito, podem demonstrar a eficiência do atendimento aos pacientes com sífilis adquirida, a facilidade de acesso aos testes rápidos e ao tratamento, e com isso, a interrupção do ciclo de transmissão. Quanto à evolução, houve um crescimento expressivo nos casos de sífilis, alcançando o maior pico em 2019, tendo em vista a melhoria da vigilância epidemiológica, com redução da subnotificação e elevação do número de pessoas infectadas. Conclui-se, portanto, que houve maior prevalência no sexo masculino, de 20 a 39 anos, pardos e analfabetos. Logo, conhecer o perfil epidemiológico da sífilis adquirida é fundamental para a saúde pública, pois é possível propor medidas de controle que foquem o cuidado, sobretudo, nos grupos mais afetados por essa doença.
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