PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES HOSPITALARES POR DOENÇA DE CROHN E COLITE ULCERATIVA NO ESTADO DO PIAUÍ ENTRE 2019 E 2023.

vol 4,2024 - 196152
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Resumo

INTRODUÇÃO: A Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa são doenças inflamatórias crônicas do trato gastrointestinal de etiopatogenia não completamente esclarecida. São problemas de saúde pública, evoluindo com frequentes internações hospitalares, uso prolongado de medicamentos e possivelmente procedimentos cirúrgicos. É necessário entender o perfil dos pacientes associados a essas doenças para reduzir o número de casos, mitigar a quantidade de internações e melhorar a sua taxa de mortalidade. OBJETIVOS: Avaliar o perfil epidemiológico de hospitalizações por doença de Crohn e colite ulcerativa no estado do Piauí nos anos de 2019-2023. MÉTODOS: Pesquisa retrospectiva e epidemiológica, com dados coletados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). RESULTADOS: No período estudado, foram notificados 578 casos de internações hospitalares de pacientes com doença de Crohn ou colite ulcerativa. Observou-se predomínio do sexo masculino (303/52,4%), idade entre 30 e 39 anos (125/21,6%) e raça parda (344 casos/59,5%). Ainda, apresentou mortalidade em 16 casos (2,8%). DISCUSSÃO: A Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa possuem sintomatologias semelhantes, dor abdominal, diarreia, sangramento, que dificultam sua diferenciação. No entanto, a Doença de Crohn acomete principalmente a região inferior do intestino delgado e grosso, podendo abranger outros órgãos subjacentes, da boca ao ânus, com lesões segmentadas. Já a colite ulcerativa, afeta a mucosa do intestino grosso e reto, com lesões ininterruptas e ulceradas. Podem evoluir com perda funcional, comprometimento da retenção de proteínas e vitaminas, e apresentar manifestações extra-intestinais como poliartrite migratória, uveíte, lesões de pele. O início das manifestações da doença ocorre precocemente, entre 10 e 30 anos, e compromete a qualidade de vida dos pacientes. Ainda, a incidência de câncer colorretal é maior em pacientes com Colite Ulcerativa e há tendência mundial de aumento da incidência de Doenças Inflamatórias Intestinais no mundo, relacionados a industrialização e a ocidentalização do estilo de vida, hábitos alimentares e tabagismo. O tratamento é complexo, envolvendo corticosteróides, mesalasina, antibióticos e imunossupressores, e depende do padrão de acometimento da doença e de sua atividade clínica. Contudo, essas drogas convencionais não evitam recidivas, de modo que parte dos pacientes necessitará de intervenções cirúrgicas por agravamento da doença. CONCLUSÃO: Nota-se, portanto, a necessidade de mais estudos sobre a fisiopatologia e o tratamento da Doença de Crohn e da Colite Ulcerativa, a fim de diminuir recidivas, reduzir os números de internação e mitigar a mortalidade.

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Eixo Temático
  • GASTROENTEROLOGIA