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Resumo

INTRODUÇÃO: A hanseníase é uma doença infectocontagiosa de evolução crônica causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. Ela possui um alto poder incapacitante pois, além de causar lesões cutâneas, pode evoluir para lesões neurais, resultando em perdas sensoriais e motoras. Apesar de possuir cura, o Brasil possui a maior carga de incidência das Américas, sendo uma enfermidade endêmica no estado do Piauí. Assim, a detecção ativa de casos e o tratamento precoce são essenciais para controlar a hanseníase e suas complicações. OBJETIVOS: Analisar a ocorrência de hanseníase e suas características epidemiológicas no Piauí e na sua capital, Teresina, entre os anos de 2018 a 2022. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico, de cunho quantitativo e descritivo, que analisou o período de 2018 a 2022. Utilizou-se o DataSUS-Tabnet para a captação de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informação Hospitalar (SIH) e Sistema de Notificação de Agravos Notificáveis (SINAN). Aplicou-se as variáveis: sexo, raça, escolaridade, faixa etária, forma clínica notificada, classe operacional diagnóstica e evolução. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Após a análise dos dados, constatou-se que durante os anos de 2018 a 2022, o total de diagnósticos para hanseníase foi de 4.893 no Piauí. O percentual de mortalidade por hanseníase e por complicações da doença na unidade federativa, pelo total de óbitos, alcançou o segundo maior índice do Nordeste, com uma taxa de 0,038%. Em Teresina, a enfermidade acometeu 1.521 pessoas durante esse período, com características epidemiológicas semelhantes ao seu estado, concentrando-se: no sexo masculino (56,2%), na raça parda (65,4%), nas pessoas que não alcançaram o ensino médio completo (72%) e na faixa etária de 50-59 anos (19%) e de 40-49 anos (18,9%). Além disso, observou-se que a forma clínica mais notificada na capital foi a dimorfa, com 928 (61%) casos, bem como a classe operacional diagnóstica mais prevalente foi a multibacilar, com 1.204 (79,1%) casos. Enquanto isso, o percentual de abandono do tratamento foi de 4,80%, superando o do Piauí (4,08%); ao passo que o seu percentual de cura foi de 70,4%, também maior em comparação com o do Piauí (64,8%). A capital Teresina apresentou 102 internações no mesmo período, o que correspondeu a 50,49% dos casos de todo o estado. CONCLUSÃO: Portanto, observou-se que a ocorrência da hanseníase apresentou similar acometimento epidemiológico entre Piauí e Teresina, nos anos de 2018 a 2022, com prevalência entre homens de 40-59 anos, com baixa escolaridade e de raça parda. Em relação à clínica, predominaram a forma dimorfa e multibacilar, com a maioria dos casos tendo evoluído para cura. Os dados evidenciaram que Teresina possui o maior número de internações e maior chance de cura da hanseníase do estado, possivelmente devido à melhor infraestrutura e desenvolvimento urbano. Porém, a capital também apresentou maior índice de abandono do tratamento, aspecto preocupante dado que o Piauí ocupa o segundo lugar do Nordeste em mortalidade por hanseníase e suas complicações. Logo, isso reforça a necessidade da aplicação de políticas públicas, com ênfase no tratamento contínuo e na prevenção dos agravos da hanseníase.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA