MATOIDITE AGUDA PEDIÁTRICA COM COMPLICAÇÃO NEUROLÓGICA

vol 4,2024 - 196135
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: A mastoidite aguda é uma infecção que afeta o sistema de células aéreas da mastóide, geralmente devido à progressão de uma otite média aguda. Sua incidência é de 0,6 a 4,2/100000 crianças por ano. Seu diagnóstico é essencialmente clínico, onde observa-se sintomas como: otalgia, febre, dor na palpação mastoidea, proptose auricular, eritema e desaparecimento do sulco retroauricular. O tratamento é com antibioticoterapia de primeira linha, sendo combinação de cefalosporina de terceira geração com clindamicina ou metronidazol. A possibilidade de ocorrer uma complicação depende de múltiplos fatores, tendo sido apontado dois principais: o uso indiscriminado de antibióticos, que favorece resistência bacteriana e o aparecimento de sorotipos multirresistentes. A infecção da mastoide pode se estender afetando estruturas contíguas e produzindo complicações intra ou extracranianas. As mais frequentes são as intracranianas, incluindo meningite, abscesso do lobo temporal ou cerebelar, abscesso epidural ou subdural, trombose do seio venoso e outras infecções, que podem resultar em crises convulsivas devido á irritação ou inflamação do tecido cerebral. EXPOSIÇÃO DO CASO: Paciente do sexo masculino, 14 anos, com relato de febre, cefaleia intensa e otalgia, com 3 dias de evolução. Procurou a unidade de pronto atendimento, onde foi prescrito sintomático, sem melhora. Após 4 dias do início dos sintomas foi avaliado pelo otorrino em um hospital de urgência, iniciando o tratamento com sinot clav, prelone e otociriax. Após dois dias de tratamento domiciliar, apresentou 1 episódio de crise convulsiva em casa, que evoluiu com hemiplegia a esquerda transitória, levando-o a retornar a UPA, sendo transferido ao hospital de urgência para acompanhamento com otorrino. De antecedentes, negava doenças e internações previas, alergias, administração de medicações de uso contínuo, ademais, estava com as vacinas atualizadas. Ao exame físico, bom estado geral, consciente e orientado em tempo e espaço, hidratado e afebril. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Apresentava otoscopia com abaulamento em região atical, hiperemia periférica e otorreia em ouvido direito, com sinais flogísticos e edema em região mastoidea direita. Exame neurológico, incluindo testes de irritação meníngea sem alterações. Feita a hipótese diagnóstica de mastoidite aguda complicada e prosseguido com internação hospitalar e início de antibioticoterapia endovenosa. Foram solicitados exames, incluindo angio TC de crânio, evidenciando coleções hipodensas extra axiais localizadas junto ao contorno posterior da mastoide direita e na convexidade parietal direita, podendo corresponder a abcesso e empiemas, respectivamente. TC de mastóide evidenciando velamento por material hipodenso amorfo em células e antro da mastoide, assim como da cavidade timpânica a direita. Durante a internação apresentou cefaleia diária e refratária, porém, ausência de novas crises convulsivas. Eletroencefalograma apresentou atividade epileptiforme rara em região frontal direita. Teve alta após 10 dias. Atualmente, em acompanhamento ambulatorial, com boa evolução. CONCLUSÃO: Em suma, evidenciou-se um caso de mastoidite que complicou com crise convulsiva, abcesso e empiema. Alguns casos podem se mostrar arrastados ou sem gravidade, sendo tratados inadequadamente, aumentando a chance de complicações. Sendo assim, a mastoidite aguda é uma doença que não deve ser trivializada devido ao risco de complicações que podem ser graves e potencialmente fatais.

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Eixo Temático
  • OTORRINOLARINGOLOGIA