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INTRODUÇÃO: Itinerário Terapêutico consiste na trajetória adotada por um paciente para o seguimento de determinado acometimento. Nesse sentido, em casos de anencefalia, malformação congênita caracterizada pela ausência total ou parcial do encéfalo, apesar de ser viável juridicamente interromper a gestação, a escolha do tratamento varia conforme experiências anteriores e a condição atual. Haja vista essa particularidade na tomada de decisões, o presente trabalho apresenta o itinerário de uma gestante com esse quadro, contribuindo para a caracterização de problemáticas envolvendo o planejamento em saúde. OBJETIVOS: Estabelecer o percurso de cuidados seguidos por uma gestante com diagnóstico de feto anencefálico. MÉTODOS: Trata-se de um estudo qualitativo, com entrevista de gestante com diagnóstico de feto anencefálico cuja interrupção deu-se por parto prematuro em maternidade pública de Parnaíba, Piauí. A coleta deu-se após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, com parecer de número 6.566.527. A entrevista semiestruturada ocorreu em fevereiro de 2024, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi utilizada a análise de conteúdo de Bardin para busca dos núcleos de sentido. DISCUSSÃO E RESULTADOS: Mulher, 24 anos, primigesta, apresentava o desejo de engravidar, mas não realizou aconselhamento pré-concepcional. Identificada a gravidez, optou por não realizar exames pré-natais no sistema público, devido a percepção de morosidade, porém, manteve o acompanhamento de consultas nesse dispositivo. Ao receber o diagnóstico de anencefalia em clínica particular, no início do primeiro trimestre, passou a frequentar exclusivamente a iniciativa privada. Mesmo conhecendo a possibilidade de interrupção, optou por dar continuidade à gestação, a qual evoluiu até o 7º mês. O atendimento humanizado foi revelado em várias falas da paciente. “Eu passei por outro médico […] ele falou comigo de um jeito que me tocou, que me deixou em paz”. Na análise do caso evidenciou-se o impacto da assistência profissional, uma vez que o sentimento de culpa da paciente frente ao diagnóstico foi amenizado pela visão holística do médico em relação à mulher. “O atendimento que eu tive pela equipe de enfermagem [no hospital] foi muito humanizado, muito empático”. A atenção ampliada foi observada também durante o parto, demonstrando o preparo da equipe no cuidado com a gestante. Outro ponto relatado foi a importância da convivência com outras mulheres no pré-parto, evidenciando o caráter benéfico da troca de experiências. “Você vê que não é só com você que acontece as dificuldades [...]. E assim, eu não me senti sozinha”. Ademais, a busca por suporte psiquiátrico e em instituições religiosas foi fator determinante na condução da gestação. CONCLUSÃO: O itinerário terapêutico denuncia as dificuldades enfrentadas na atenção primária, destacadas pelo comprometimento da longitudinalidade, revelando desarticulação na rede de atenção. No que se refere ao impacto psicológico do diagnóstico e às escolhas da paciente, o atendimento psiquiátrico e a espiritualidade demonstraram-se favoráveis, bem como a assistência humanizada que recebeu no pré-natal e parto. Dessa forma, ao analisar os caminhos percorridos individualmente, pode-se delinear de forma mais assertiva as decisões de cuidado em saúde, considerando as necessidades apresentadas.
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