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Resumo

INTRODUÇÃO: testículo não-descido (TND) é um grupo heterogêneo, inclui testículos ectópicos, no canal inguinal, abdominais e evanescentes. Estabelece-se diagnóstico se há bolsa vazia após seis meses de vida, indicando orquidopexia na idade ideal de seis a 12 meses devido aos riscos de infertilidade, torção e câncer de testículo. OBJETIVO: conhecer aspectos epidemiológicos hospitalares de internações por TND e orquidopexias no Brasil. MÉTODOS: estudo ecológico tipo série temporal sobre internações por TND no período de 1998 a 2023 e sobre orquidopexias de 1992 a 2023. A fonte dos dados foi o SIH/SUS acessado em 25/05/2024. Indicadores analisados foram permanência hospitalar (dias de internação/AIH aprovadas), taxa de mortalidade hospitalar (óbitos/AIH pagas) e variação percentual 1992-2023 (vp92-23). Análises foram realizadas no software Minitab v. 21.4. RESULTADOS E DISCUSSÃO: houve 192.388 internações por TND, sendo 2,8?las em menores de 1 ano. A maior parte dos casos (84,8%) corresponderam a pessoas de 1 a 14 anos. Houve 267.411 orquidopexias, sendo 16% bilaterais. Desde 2008, interna-se anualmente mais do que se realizam orquidopexias, com diferença anual média de 25%. Orquidopexias unilaterais apresentaram curva com tendência decrescente com vp92-23 = – 30% (1992: 9.410; 2023: 6.567), permanência hospitalar média com vp92-23 = -59% (1992: 2 dias/AIH aprovada; 2023: 0,7 dia/AIH aprovada) e mantiveram a taxa de mortalidade hospitalar em 2%. Orquidopexias bilaterais apresentaram curva com tendência crescente com vp92-23 = +102% (1992: 1.258; 2023: 2.538), permanência hospitalar média com vp92-23 = -58% (1992: 2 dias/AIH aprovada; 2023: 0,7 dia/AIH aprovada) e taxa de mortalidade hospitalar com vp92-23 = -100% (1992: 8%; 2023: 0). Internar por TND sinaliza sua correção, pois é doença cirúrgica e não possui tratamento conservador. Os dados sugerem mais internações por TND do que realização de orquidopexia desde 2008, sinalizando múltiplas internações até que os clientes se submetam à correção. A abordagem em maiores de 1 ano preocupa pelas possíveis complicações testiculares. Com o avanço da laparoscopia e novas técnicas cirúrgicas menos invasivas, os desfechos cirúrgicos melhoraram. Isto pode ser a razão na redução da permanência e mortalidade hospitalares. Substâncias exógenas na gestação, malformações ou prematuridade estão associadas com a ocorrência de TND. Neste sentido, é possível que o aumento nas orquidopexias bilaterais tenha associação com determinantes ambientais e maternofetais. CONCLUSÃO: TND é importante causa de internação masculina. A correção tardia preocupa porque há risco de infertilidade, torção e câncer. Múltiplas internações até a realização da orquidopexia é um problema administrativo e pode justificar abordagens tardias. Novas técnicas cirúrgicas podem justificar a redução na permanência e mortalidade hospitalares. Orquidopexias bilaterais estão aumentando no Brasil. Urge investigar aspectos administrativos relacionados à internação e correção cirúrgica dos TND bem como identificar por que razão orquidopexias bilaterais estão se tornando mais frequentes.

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  • UROLOGIA