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INTRODUÇÃO: Dentre as infecções respiratórias agudas a mais comum é a pneumonia, sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade no Brasil. Os cuidados hospitalares requerem cuidados multiprofissionais e modalidades de tratamento de elevado custo ao setor saúde, o que pode ser agravado pela qualidade da gestão de saúde pública oferecida à população. Dessa forma, urge conhecer a qualidade da assistência a pessoas com pneumonia no Piauí, pois isso poderá motivar intervenções sociossanitárias. OBJETIVOS: Analisar as internações hospitalares por pneumonia no Piauí de 2008 a 2023. MÉTODOS: Estudo ecológico tipo série temporal das internações no Piauí para tratamento de pneumonia ou influenza (código SIGTAP 0303140151) de 2008 a 2023. AIH significa autorização de internação hospitalar. Os indicadores hospitalares analisados incluíram taxa de internações/ano de atendimento, média permanência (diárias/AIH aprovada) e mortalidade hospitalar (óbitos/AIH aprovada). Os dados foram obtidos no Tabnet DATASUS em 23/06/2024. Análises foram realizadas no Minitab v.21.4. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Houve 243.592 internações com média de permanência de 4,5 dias/AIH aprovada e taxa de mortalidade hospitalar de 3,9 óbitos/AIH aprovada. Ocorreram redução das internações e aumento de média permanência e da taxa de mortalidade. A média de internações no quadriênio 2008-2011 foram 17.849 ± 1.421,2 enquanto no quadriênio 2020-2023 foram 12.821 ± 2.754,7 (diferença: 5.028, valor-p: 0,017). A média permanência no quadriênio 2008-2011 foram 4 ± 0,12 enquanto no quadriênio 2020-2023 foram 5 ± 0,2 diárias/AIH aprovada (diferença entre as médias: 1, valor-p: 0,0001). A taxa de mortalidade hospitalar no quadriênio 2008-2011 foi 1 ± 0,11 enquanto no quadriênio 2020-2023 foram 5 ± 0,35 óbitos/AIH aprovada (diferença entre as médias: 4, valor-p < 0,0001). A taxa de mortalidade foi 2,17 vezes maior nas internações em caráter de urgência (3,93) em relação às eletivas (1,79), 5,65 vezes maior em serviço público (2,6) em relação ao privado (0,46), 3,23 vezes maior na região metropolitana da grande Teresina (8,46) em relação à fora da região metropolitana (2,62). A comparação da média permanência entre o regime (público e privado) e o caráter de atendimento (urgência e eletivo) não revelou diferenças (teste exato de Fisher, valor-p: 0,74). Estudos mostram que serviços públicos necessitam aperfeiçoar seus recursos materiais e humanos para melhorar seus indicadores. Outra possibilidade é a introdução de protocolos de admissão como o CURB-65, selecionando casos mais graves. CONCLUSÃO: No Piauí, tem ocorrido uma redução nas internações por pneumonia, porém tanto a média permanência quanto a mortalidade hospitalar aumentaram. Esses aspectos epidemiológicos hospitalares são piores em serviços públicos e em internamentos em caráter de urgência, o que sinaliza que as internações possam ser por casos mais graves ou por gestão ineficiente do setor saúde pública. São necessários mais estudos para se propor intervenções mais eficientes aos casos de pneumonia no Piauí e reduzir as diferenças público-privadas e as taxas de mortalidade hospitalar e de média permanência.
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