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INTRODUÇÃO: O câncer é o principal problema de saúde pública no mundo, em diversos países corresponde a primeira ou segunda causa de morte antes dos 70 anos, incluindo o Brasil. A dor relacionada ao câncer pode ter múltiplas causas e mecanismos: o tumor, o tratamento anticâncer, aspectos emocionais e metástases; podendo induzir a dor neuropática. A identificação dessa dor é de grande importância clínica para a adequada analgesia e qualidade de vida. OBJETIVOS: Identificar a incidência de dor neuropática relacionada ao câncer (DNRC), após 6 meses de evolução, e o perfil sócio demográfico e clínico em pacientes com câncer (PCC) atendidos nos hospitais oncológicos da rede pública de saúde do município de São Luís – MA (HORPSL). MÉTODOS: Trata-se de um estudo de coorte transversal, com amostra composta de PCC atendidos em dois HORPSL, no período de 2019 a 2021. Foram incluídos pacientes com 18 anos ou mais, de ambos os sexos, lúcidos, com diagnóstico de câncer comprovado por exame histopatológico, que estiveram internados nesses hospitais ou em atendimento ambulatorial. Foi aplicado questionário validado em língua portuguesa para identificação de dor crônica (DC) - presença de dor por 3 meses ou mais. Excluiu-se pacientes que já apresentavam DC e incluiu-se pacientes sem presença de dor no primeiro contato ou que apresentavam por menos que 3 meses, em um segundo momento, estes foram contactados após 6 meses e identificados se houve desenvolvimento de DC ou não. Entre aqueles que apresentaram DC, foram aplicados outros questionários validados para identificar DNRC. Foi analisado ainda o perfil sociodemográfico e clínico. Este estudo obteve aprovação pelo comitê de ética em pesquisa responsável e todos os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A amostra foi de 660 pacientes, em que 224 participaram do segundo momento. Desse total, 12,5% desenvolveram quadro de DC após 6 meses e destes, 21,4% apresentaram DNRC, em que 83% eram mulheres; 50% possuía 60 anos ou mais; 66% eram afrodescendentes; 100% provenientes do interior do estado (PIE); 66% não possuíam ensino fundamental completo (EFC) e 73% afirmaram renda mensal de até 2 salários mínimos. O câncer mais prevalente em pacientes com DNRC foi o câncer de colo do útero (33,4%) seguido de câncer de mama, próstata, pulmão e intestino (16,6% cada). 83,4% realizaram tratamento com quimioterapia, 66,7% com radioterapia e cirurgia. Houve presença de metástase em 16,6% da amostra. 67% classificaram a dor como moderada a intensa. A dor era mais frequente em coluna lombar (66,7%), pelve (50%) e membros inferiores (33%); 50% relataram irradiação. CONCLUSÃO: Após 6 meses de evolução, 12,5% de pacientes atendidos nos HORPSL desenvolveram DC e destes 21,4% DNRC. Estes indivíduos foram, em sua maioria, mulheres, idosas, sem EFC, afrodescendentes, PIE e com diagnóstico de CCU e CM, principalmente. Do ponto de vista clínico, a maior parte já realizou quimioterapia, radioterapia e cirurgia, além de classificar a dor como moderada a intensa mais frequente na região lombar e pelve com irradiação.
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