GRUPOS DE ROBSON E VIAS DE PARTO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DOS DADOS DO PIAUÍ E DO BRASIL EM 2018 A 2022

vol 4,2024 - 196121
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Resumo

INTRODUÇÃO: A classificação de Robson é um instrumento utilizado para avaliar, monitorar e comparar o índice de partos cesáreos em determinado período de tempo e espaço, com o intuito de otimizar o uso de cesáreas e promover uma maior qualidade do cuidado em saúde de gestantes. Tal classificação é composta por 10 grupos, que analisam e separam as gestantes em categorias inclusivas e exclusivas, encaixando-as em uma das classificações existentes; utiliza-se como base algumas variáveis obstétricas como paridade, cesárea anterior, início do trabalho de parto, número de fetos, idade gestacional e apresentação fetal. OBJETIVOS: Analisar comparativamente os dados brasileiros e piauienses quanto à classificação nos grupos de Robson e a via de parto no período de 2018 a 2022. MÉTODOS: Realizou-se um estudo epidemiológico retrospectivo e quantitativo de dados registrados no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) referentes ao período de 2018 a 2022. Foram analisadas e comparadas as taxas, do Piauí e do Brasil, de gestantes classificadas em cada Grupo de Robson e a prevalência de parto vaginal e cesariano dentro desses grupos.RESULTADOS E DISCUSSÃO: No Brasil, as maiores taxas de cesárea entre grupos foram as de G9 (97,1%), G6 (91,7%) e G7 (88,6%); enquanto no Piauí, G9 (97,4%), G6 (89,8%) e G5 (87,9%) obtiveram a maior porcentagem. Isto é, enquanto o Brasil indica cesáreas mais frequentemente para as multíparas, com ou sem cesáreas anteriores, com um feto pélvico, ou seja, G7, em relação às multíparas, com cesárea anterior, com um feto cefálico e à termo, ou seja, G5 (87,9%), o Piauí possui maiores taxas de cesárea nas gestantes de G5, o que pode demonstrar uma maior interferência do fator cesárea prévia em relação à apresentação pélvica dentro do estado, diferenciando-o dos dados do Brasil. O G1, formado pelas gestantes nulíparas, com um feto cefálico com a partir de 37 semanas de idade gestacional, obteve 44,1?cesáreas no Brasil e 54,8% no Piauí, ou seja, uma diferença de mais de 10%, o que demonstra a maior fragilidade do estado quanto à adequação das taxas à recomendação das organizações de saúde, mesmo em gestantes consideradas de baixo risco para cesárea. Além disso, os dados do Brasil revelam que G3, G1 e G4 foram os únicos que obtiveram mais partos vaginais do que cesarianas, sendo suas porcentagens de parto vaginal 81%, 55,9?0,3%, respectivamente. Entretanto, as taxas de parto vaginal no Piauí só foram maiores que 50% no G3 (71,3%), uma vez que em G1(45,2%) e G4 (35,4%) houve predomínio de cesáreas. CONCLUSÃO: Comparando Piauí e Brasil, há prevalências de partos cesarianos desproporcionais entre os grupos de Robson, indicando provável fragilidade na análise de indicação ou padronização desse procedimento.

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