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INTRODUÇÃO: Cães com leishmaniose visceral podem apresentar lesões renais semelhantes as observadas em seres humanos. As células glomerulares e tubulares em humanos não sofrem apenas ações lesivas da doença outrora citada, mas também são coautoras da própria lesão renal. A expressão exacerbada de citocinas, quimiocinas e atividade transcricional do DNA ribossômico são observados em células tubulares. Essa expressão intensificada resulta em alterações hipertróficas e é frequentemente acompanhada pelo aumento da expressão de fatores envolvidos em diferentes fases da biossíntese do desenvolvimento ribossômico, como as regiões organizadoras de nucléolos (NOR). Quando as NORs estão ativas, elas podem ser coradas com prata e são chamados AgNOR (Regiões Organizadoras de Nucléolo associadas a proteínas argentofílicas). OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi caracterizar e mensurar lesões histológicas e a expressão de AgNORs em rins de cães com Leishmania infantum. MÉTODO: Foram utilizados 45 cães com leishmaniose visceral e 6 controles não infectados. A PCR foi empregada para detectar ácidos nucleicos dos parasitas nos rins, utilizando uma sequência alvo de L. donovani. Após a anestesia, fragmentos renais foram coletados, fixados e corados com H-E, Tricromo de Masson, PAS, Picrosirius e AgNOR. Todos os procedimentos obedeceram às diretrizes estabelecidas pelo Comitê de Institucional local de Cuidado e Uso de Animais (CETEA, Universidade Federal de Minas Gerais, protocolo n° 198/2007, aprovado em 27/03/2008). RESULTADOS E DISCUSSÃO: O processo inflamatório e fibrótico mais intenso foi identificado no grupo com pior quadro de infecção. AgNOR foi expresso em células glomerulares e tubulares em todos os grupos infectados, mas houve diferença estatística apenas em células tubulares (nas regiões cortical e medular), sendo superior em cães clinicamente afetados do que em cães subclínicos (p <0,05, teste T). A expressão de AgNOR esteve diretamente relacionada com a presença de sinais clínicos e com a intensidade das lesões histopatológicas de animais infectados (p < 0.05, Fisher test). Além disso, correlações positivas foram detectadas entre o índice AgNOR na região medular e a intensidade do escore das lesões histopatológicas (r = 0.40, n= 15, p = 0.027; Spearman). Correlação positiva mais forte foi observado entre o índice AgNOR e o número total de células com coloração AgNOR maior que 1 (r = 0,78, n = 15, p = 0,006; Pearson). CONCLUSÃO: AgNOR pode ser usado para estimar melhor o dano tubular renal. Assim, a expressão de proteínas AgNOR poderia ser usada para avaliar a progressão da insuficiência renal e até mesmo a melhora, em caso de intervenção terapêutica.
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