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INTRODUÇÃO: A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose causada por Leishmania infantum e, no Brasil, ela é transmitida pela picada da fêmea Lutzomya longipalpis, um flebotomíneo, acometendo mamíferos, como o homem. A apoptose desempenha um papel importante na patogênese da leishmaniose, influenciando a interação parasita-hospedeiro e potencialmente afetando o curso da doença. Nesse sentido a apoptose participa do processo de inflamação na Leshmaniose, que ocorre por meio da ação de substâncias no organismo. Uma dessas substâncias são as quimiocinas, que são capazes de controlar a migração de células imunes, podendo atuar no controle da migração de células inflamatórias. Contudo, esse processo de apoptose parece não estar associado apenas à resolução da inflamação. Em rins de cães infectados por Leishmania infantum, a apoptose parece estar equilibrando o recrutamento inflamatório e atuando como um marcador de atividade inflamatória, não como um evento de resolução. OBJETIVO: Avaliar a apoptose e a expressão de quimiocinas envolvidas no recrutamento de células inflamatórias em cães com leishmaniose visceral. METODOLOGIA: Foram utilizados dezesseis cães com leishmaniose visceral e sete controles não infectados. O diagnóstico de leishmaniose foi confirmado por RIFI e ELISA, imprints, cultura e PCR. Em seguida, os fragmentos de rim foram coletados e processados para análise histológica da apoptose e da presença de infiltrados celulares. Posteriormente, a expressão gênica das quimiocinas CCL5, CCL4, MCP-1, MCP-2, e dos marcadores de apoptose Caspase 3, Caspase 8, Caspase 9, Fas, Bax e Bcl2 foi medida utilizando qRT-PCR. Todos os procedimentos obedeceram às diretrizes estabelecidas pelo Comitê Institucional local de Cuidado e Uso de Animais (CETEA, Universidade Federal de Minas Gerais, protocolo n° 198/2007, aprovado em 27/03/2008). RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os cães com leishmaniose apresentaram inflamação mais intensa e maior presença dos infiltrados inflamatórios do que os subclinicamente infectados, que foram maiores que os controles (p<0,05, Tukey). As células glomerulares e tubulares apresentaram maior índice apoptótico nos animais clinicamente afetados em relação aos controles (p<0,05, Tukey). A apoptose dentro dos infiltrados inflamatórios foi maior nos cães clinicamente afetados, intermediária nos subclinicamente infectados e menor nos controles (p<0,05, Tukey). As expressões de MCP-2, CCL4, Fas, Bax, Bcl2, Caspase 9 e foram elevadas em animais clinicamente afetados e menores em cães infectados de forma subclínica (p<0,05, Mann Whitney). Houve um aumento na expressão de MCP-1, CCL5, Caspase 3, Caspase 8 e Bax/Bcl2 em ambos os grupos estudados. Além disso, Bax/Bcl2 e CCL4 mostraram uma expressão mais alta nos rins de cães clinicamente afetados em comparação com animais infectados de forma subclínica (p<0,05, Mann Whitney), correlacionando-se com as manifestações clínicas. CONCLUSÃO: Esses resultados indicam uma possível associação entre a apoptose e a expressão de quimiocinas com a gravidade das lesões renais observadas em cães com leishmaniose visceral, contribuindo para a compreensão dos mecanismos patológicos dessa doença. A apoptose parece não se limitar à resolução da inflamação, como indicado pela avaliação morfométrica e molecular simultânea. Nos rins de cães infectados por Leishmania, a apoptose pode ocorrer durante a inflamação ativa, e parece estar equilibrando o recrutamento inflamatório.
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