DOR PÉLVICA CRÔNICA EM PACIENTE COM SÍNDROME DE MAY-THURNER SUBMETIDA A TRATAMENTO ENDOVASCULAR: RELATO DE CASO

vol 4,2024 - 196102
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: A Síndrome de May-Thurner (SMT) caracteriza-se por uma variação anatômica devido à compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca direita, resultando em diversos sintomas na região pélvica, como edema, dor, varizes e trombose venosa profunda (TVP). Esta condição é rara e mais frequente no sexo feminino, especialmente entre a terceira e a quinta década de vida. O tratamento atual consiste em intervenção endovascular, uma técnica menos agressiva, que inclui procedimentos como angioplastia e colocação de stent. RELATO DE CASO: Paciente R.S.P. 31 anos, sexo feminino, buscou atendimento ginecológico com queixa de dor pélvica crônica. Relatava dores na fossa ilíaca esquerda e na região perineal esquerda desde o ano anterior, acrescidas de dores lombares, no flanco esquerdo e na pelve direita ao longo do tempo, com queixa de dispareunia constante e limitante. Ademais, à anamnese, negou tenesmo, dores nos membros inferiores, hematúria, epigastralgia, náusea e problemas digestivos. Sugeriram-se hipóteses de endometriose, adenomiose e doença inflamatória pélvica. Inicialmente, realizou-se painel de rastreamento para infecções sexualmente transmissíveis e exames laboratoriais de sangue e urina que apresentaram-se normais, além de ultrassom transvaginal que demonstrou varizes pélvicas bilaterais proeminentes. Outrossim, para descartar endometriose e adenomiose, realizou-se ressonância magnética de pelve que apontou presença de varizes pélvicas proeminentes, confirmando a congestão vascular. Diante disso, encaminhou-se a paciente para o cirurgião vascular que prosseguiu com conduta e tratamento do caso. Nesse sentido, para estudo das varizes pélvicas e para investigar Nutcracker e SMT, realizou-se angiotomografia computadorizada que evidenciou compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca comum direita. Assim, o diagnóstico foi de varizes pélvicas bilaterais de grande calibre e compressão da veia ilíaca esquerda, caracterizando SMT. Ademais, para melhor delinear o caso, com vista à programação cirúrgica, realizou-se angiotomografia abdominopélvica constatando um emaranhado de veias aberrantes no hilo renal esquerdo, entretanto a paciente não apresentou dor na fossa renal e também não relatou dor durante a ultrassonografia nessa área, o que costuma ocorrer na Síndrome de Nutcracker, descartando tal hipótese. Por fim, realizou-se flebografia ascendente da veia femoral comum direita e esquerda. De modo que, através da flebografia e da ultrassonografia intravascular (IVUS) do eixo venoso ilíaco esquerdo, realizou-se o procedimento endovascular que, diante da presença de estenose grave da veia ilíaca sob a artéria ilíaca direita, consistiu na colocação de stent, excluindo toda circulação colateral anômala. Tempos depois, a paciente retornou ao consultório ginecológico com melhora das queixas após a intervenção vascular. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A SMT representa uma causa subdiagnosticada e frequentemente negligenciada de dor pélvica crônica, que pode impactar significativamente na qualidade de vida dos pacientes. Assim, a avaliação abrangente das possíveis etiologias desta dor é essencial para diagnósticos precisos e tratamentos eficazes. Ademais, o conhecimento sobre SMT e suas apresentações clínicas, aliado a uma abordagem multidisciplinar, é crucial para garantir manejo adequado e direcionado do paciente considerando suas especificações. Portanto, é imprescindível enfatizar na prática clínica a inclusão da SMT nos diagnósticos diferenciais de dor pélvica crônica a fim de otimizar os cuidados e o bem-estar dos indivíduos afetados.

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