DENGUE HEMORRÁGICA: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO NO PIAUÍ ENTRE 2019 E 2023

vol 4,2024 - 196098
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Resumo

INTRODUÇÃO: A dengue hemorrágica é o tipo mais grave dessa doença e é caracterizada por alterações na coagulação sanguínea. No início da infecção, os sintomas são iguais aos da dengue clássica, porém, ao passar dos dias, surgem os sangramentos, especialmente no nariz, gengiva, olhos e ouvidos. Acontece mais comumente em casos reincidentes da doença, podendo gerar insuficiência circulatória. As maiores cargas de doenças tropicais negligenciadas se concentram nas regiões de elevada vulnerabilidade social: norte e nordeste do Brasil, onde esse cenário vem se mantendo cada vez mais crítico pela persistência de sua endemicidade. O Piauí é um dos estados endêmicos do nordeste e com elevada carga de mortalidade para as doenças tropicais negligenciadas, de alta relevância para a saúde pública, visto que compartilha características favoráveis para a constância desse grupo de doenças na região. OBJETIVOS: Analisar a prevalência de dengue hemorrágica no Piauí, nos anos de 2019 a 2023. MÉTODOS: Trata-se de um estudo ecológico, com abordagem descritiva quantitativa envolvendo os casos notificados de dengue hemorrágica, tanto em termos econômicos quanto sociais, além de caracterizar a região do Piauí e correlacionar a incidência de casos de dengue hemorrágica nessa população específica. Os critérios de escolha foram baseados no sexo, nível de escolaridade, raça, macrorregião meio-norte do Piauí, região de saúde Entre Rios e faixa etária de 50 a 80 anos. O estudo foi baseado em dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), dentro da plataforma TABNET. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Observou-se um total de 918 casos notificados de dengue hemorrágica nos anos de 2019 a 2023. Em 2019, houve 180 casos diagnosticados, seguidos por uma queda acentuada em 2020, com apenas 45 casos relatados. No entanto, em 2021, houve um aumento para 76 casos, seguido por um aumento dramático em 2022, com 535 casos diagnosticados, e uma redução para 82 casos em 2023. Nesse aspecto, essas flutuações de dados são influenciadas por vários fatores, como variações na transmissão do vírus da dengue, medidas de controle e prevenção implementadas, bem como mudanças nos padrões de notificação. A distribuição dos casos de dengue com sinais de alarme para dengue hemorrágica por sexo mostra uma disparidade entre homens e mulheres. O número total de notificações para homens foi de 409 casos, representando 44,75%, enquanto para as mulheres foi de 509 casos, representando 55,25%. Em 2019, registrou-se, no total, 180 casos (19,57%), 45 casos em 2020 (4,89%), 76 casos em 2021 (8,27%), 535 casos em 2022 (58,29%) e 82 casos em 2023 (8,94%) . CONCLUSÃO: Os dados epidemiológicos revelaram uma variação expressiva nos casos de dengue com sinais de alarme ao longo do período estudado, refletindo a dinâmica complexa da transmissão do vírus e a eficácia das medidas de controle e prevenção implementadas. Ademais, a disparidade de gênero na incidência da dengue hemorrágica foi evidenciada, predominantemente entre as mulheres, devido às diferenças na exposição ao mosquito vetor e comportamentos relacionados à busca por cuidados de saúde.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA