CROMOBLASTOMICOSE ASSOCIADO À CARCINOMA ESPINOCELULAR - UM RELATO DE CASO.

vol 4,2024 - 196094
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: A cromoblastomicose (CBM), também conhecida como cromomicose, é uma doença fúngica granulomatosa crônica, indolente, causada principalmente por dois gêneros: Fonsecaea spp. e Cladophialophora spp. A infecção começa no local da inoculação, afeta os tecidos cutâneo e subcutâneo e apresenta diversos achados clínicos, precocemente, se apresenta como máculas ou pápulas eritematosas que desenvolvem características verrucosas ou hiperceratóticas. Na ausência de tratamento, a infecção progride lentamente para áreas maiores de envolvimento da pele com morfologias nodulares, verrucosas e tumorais. Nesse cenário, a gravidade aumenta progressivamente, estando as lesões da CBM associadas a complicações como linfedema, anquilose e transformação maligna. Esta última é uma complicação rara, agressiva e incapacitante, associando-se, principalmente, ao carcinoma espinocelular (CEC). O diagnóstico de cromoblastomicose é feito através da identificação de elementos fúngicos característicos chamados células muriformes ou biópsia de pele. O tratamento da cromoblastomicose pode ser desafiador , pois a doença muitas vezes não responde aos medicamentos antifúngicos orais. RELATO DE CASO: Paciente AEF, sexo masculino, 58 anos procedente de Parnaiba - Piaui. É internado no Hospital Universitário (HU) devido a trauma raquimedular toracolombar apresentando, ainda, lesão vegetante e ulcerada de 6 cm na região do joelho esquerdo com evolução há 4 anos. Nesse cenário, solicitou-se biópsia e Imuno-histoquímica (IHQ) da lesão, na qual, foi constatado, carcinoma espinocelular (CEC) moderadamente diferenciado associado à cromoblastomicose. Doravante, foi solicitado consultoria para equipe da cirurgia oncológica, do hospital, para avaliar ressecabilidade da lesão. Durante a internação, o paciente evoluiu com piora do aspecto, da secreção e odor da lesão. Após discussão do caso optou-se por amputação suprapatelar esquerda. A cirurgia ocorreu sem intercorrências ou perdas sanguíneas expressivas com transferência do paciente para UTI no pós-operatório imediato, recebendo alta para enfermaria no dia subsequente. Paciente evoluiu em bom estado geral e sem queixas da cirurgia. Retirado curativo do coto de amputação, após 24 horas, e verificado ferida operatória limpa e seca sem sangramentos e/ou secreções. Recebendo, assim, alta da cirurgia oncológica com retorno ambulatorial em 15 dias após cirurgia e seguimento com a oncologia clínica. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A evolução de neoplasias malignas em lesões crônicas de cromoblastomicose é rara, sendo a inflamação persistente e os processos de reparo crônicos no tecido afetado fatores que aumentam o risco. Diante da agressividade dessas lesões, é imprescindível o diagnóstico precoce, a fim de evitar desfechos menos favoráveis.

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Eixo Temático
  • CIRURGIA ONCOLÓGICA