CARDIOPATIA CONGÊNITA NO PIAUÍ: UM ESTADO MODELO OU SUBNOTIFICADO?

vol 4,2024 - 196082
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Resumo

INTRODUÇÃO: Cardiopatia congênita (CC) compreende qualquer alteração na anatomia do coração e de seus vasos sanguíneos. São as malformações congênitas mais frequentes. Em muitos casos, essas condições podem apresentar sintomas semelhantes ao choque, fadiga extrema, atraso no desenvolvimento e insuficiência cardíaca congestiva e até mesmo óbito. A realidade socioeconômica do Brasil impacta profundamente no diagnóstico precoce e no prognóstico dos portadores dessa condição. OBJETIVOS: Realizar um levantamento epidemiológico, considerando a incidência e mortalidade de CC em nascidos vivos. METODOLOGIA: Foram utilizados dados secundários do SINASC-DATASUS e SIM-DATASUS, referentes ao diagnóstico de CC, número de nascidos vivos, CC e total de óbitos, no período de jan/2018 até dez/2022 de pacientes residentes do estado do Piauí e do Brasil. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Durante o período analisado, foram notificados 11 casos de CC no Piauí. No Brasil, esse valor foi cerca de 120 vezes maior, totalizando 1322 notificações. Em relação ao número de nascidos vivos, o estado do Piauí apresentou 230.877 nascimentos, enquanto no país foram observadas 13.763.246 notificações. A incidência de casos de CC foi de 4,7 casos a cada 100.000 nascidos vivos no Piauí, enquanto no Brasil a incidência foi de 9,6 casos por 100.000 nascidos vivos. O número total de óbitos infantis de 2018 a 2022 foi de 3.363 no Piauí e 166.709 no país. A incidência de óbitos por CC em crianças menores de 1 ano foi de 8.771,9 casos a cada 100.000 nascidos vivos no Piauí e 9049,9 casos a cada 100.000 nascidos vivos no Brasil. Os dados apresentados indicam uma possível subnotificação de casos de CC no Piauí, uma vez que a incidência de casos no estado é significativamente menor do que a média nacional (-49,96%). Essa discrepância pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a falta de diagnósticos precisos, principalmente nas faixas etárias neonatais e infantis, a confusão com outras condições clínicas e a insuficiência de recursos diagnósticos, como ecocardiogramas fetais e pediátricos. A alta incidência de óbitos por CC (96,9% da média nacional) sugere uma condução ineficiente dos pacientes, pela necessidade frequente de procedimentos cirúrgicos disponíveis apenas em grandes centros especializados, afastados de municípios de menor porte. Esses dados sinalizam a necessidade de investimento em tecnologia e capacitação especializada e multidisciplinar para o tratamento adequado da doença. CONCLUSÃO: Esses resultados sugerem uma possível subnotificação de CC no Piauí, evidenciada pela incidência significativamente menor de casos em comparação com a média nacional, além da considerável taxa de óbitos por CC em crianças menores de um ano. Melhorias no diagnóstico e acesso a recursos especializados são urgentemente necessárias para identificar e tratar adequadamente essas condições, bem como fundamentar o planejamento estratégico de políticas públicas para seu manejo eficaz, reduzindo a mortalidade infantil na região.

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Eixo Temático
  • PEDIATRIA/NEONATOLOGIA