AUMENTO DO ÍNDICE APOPTÓTICO NA PELE INTACTA DA ORELHA DE CÃES COM LEISHMANIOSE CANINA: UM ESTUDO HISTOMORFOMÉTRICO E DE MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE TRANSMISSÃO

vol 4,2024 - 196072
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Resumo

INTRODUÇÃO: A leishmaniose visceral (LV) é uma zoonose global causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pelo flebotomíneo hematófago Lutzomyia longipalpis. A pele do hospedeiro serve como fonte de contaminação para o vetor. Os patógenos usam a apoptose para escapar das defesas do hospedeiro, garantindo sua sobrevivência por inibição ou indução da apoptose das células do sistema imunológico. Na LV, isso resulta na inibição da resposta Th1, favorecendo o parasita. Além disso, moléculas pró-apoptóticas liberadas pelo protozoário induzem a apoptose de macrófagos, liberando formas infecciosas viáveis de Leishmania nos espaços intersticiais.OBJETIVO: Analisar a resposta inflamatória e a morte celular nos infiltrados inflamatórios, correlacionando esses achados com a carga parasitária e as manifestações clínicas em cães infectados por Leishmania. METODOLOGIA: Fragmentos da pele intacta da orelha de dezesseis cães infectados por Leishmania e sete não infectados foram coletados e avaliados por meio de histomorfometria e análise imunohistoquímica em imagens obtidas de 20 campos histológicos com o propósito de correlacionar apoptose e inflamação com manifestação clínica e carga parasitária. Seções ultrafinas foram montadas e contrastadas com acetato de uranila a 2?itrato de chumbo e examinadas sob Microscopia Eletrônica de Transmissão. Todos os procedimentos obedeceram às diretrizes estabelecidas pelo Comitê Institucional local de Cuidado e Uso de Animais (CETEA, Universidade Federal de Minas Gerais, protocolo nº 198/2007, aprovado em 27/03/2008). RESULTADO E DISCUSSÃO: Amastigotas de Leishmania foram encontradas por análise imunohistoquímica apenas na pele normal de cães clinicamente afetados. O número de focos e o perímetro do infiltrado inflamatório em animais clinicamente afetados foram maiores do que nos outros grupos e nos cães subclinicamente infectados, foi maior que nos controles não infectados. O número de células inflamatórias, área média e diâmetros extremos do infiltrado inflamatório obtidos de cães clinicamente infectados foram maiores do que nos grupos subclinicamente infectados e não infectados (Tukey, p˂0,05). O índice apoptótico foi maior em cães clinicamente afetados (Tukey, p˂0,05). Ultraestruturalmente, as células apoptóticas estavam encolhidas, com cromatina nuclear condensada e citoplasma condensado. Núcleos condensados estavam frequentemente fragmentados. Amastigotas foram observados dentro das células inflamatórias. Também há associações entre essas avaliações histomorfométricas e as manifestações clínicas. A apoptose além de diminuir a resposta inflamatória ao remover células infectadas e não infectadas, pode ser uma via utilizada pelo parasita para sobrevivência. A diversidade na carga parasitária e nos padrões inflamatórios em animais com e sem manifestações clínicas de LV poderá ser a chave para a melhor compreensão da interação parasita-hospedeiro. CONCLUSÃO: A apoptose está relacionada ao aumento da carga parasitária e à intensidade da resposta inflamatória. De acordo com os resultados sugere que a apoptose desempenha um papel importante no processo de infecção e progressão da carga parasitária na pele de cães naturalmente infectados por Leishmania infantum.

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Eixo Temático
  • DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS