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INTRODUÇÃO: No Brasil, a população acima de 60 anos irá triplicar em 40 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superando a proporção de jovens. Esse aumento trouxe novos desafios à sociedade e aos sistemas de saúde devido ao aumento do número de idosos vivendo com doenças cardiovasculares, câncer ou depressão. A depressão é um dos distúrbios de saúde mental mais prevalentes em idosos, com tendência a aumentar devido ao crescimento da população. Além disso, transtornos depressivos em pacientes idosos podem levar a sérias consequências, pois estão associadas ao comprometimento do funcionamento cognitivo, redução da qualidade de vida e aumento das taxas de suicídio. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico pós-pandêmico da depressão em idosos no Piauí. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, quantitativo e retrospectivo, com dados coletados no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS na plataforma Tabwin e os critérios usados foram faixa etária, sexo e raça/cor acima de 60 anos com enfoque no período de 2019-2023 no Piauí. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Totalizou-se 1145 atendimentos de idosos com depressão no Piauí no período analisado, tendo destaque a faixa de 60-64 anos que apresentou 502 (43,84%) registros. Ressalta-se, que em 2019 foram registrados 336 atendimentos, enquanto em 2020 foram 132 e em 2021 foram 182, demonstrando diminuição significativa, resultado da pandemia de Covid-19, que dificultou o acesso da população ao atendimento à saúde mental e consequentemente o diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior. Entretanto, em 2023 foram registrados 382 atendimentos, representando aumento de 13,69% em relação a 2019, consequência dos efeitos do isolamento social, da propagação de notícias ruins na pandemia e da vulnerabilidade biopsicossocial dos idosos, os quais são desencadeantes da depressão. Somado a isso, a população, no pós-pandemia, encontra-se mais informada sobre a importância da busca por atendimento psiquiátrico frente à conscientização promovida nos últimos anos. Analisou-se também, o sexo do paciente, no qual o total de homens atendidos nesse período com mais de 60 anos foi de 308, enquanto os das mulheres foi de 837, e essa diferença é devido a menor procura do sexo masculino a atendimentos psiquiátricos, visto que esse público, majoritariamente, banaliza a manutenção da saúde mental. Além disso, registros sobre raça/cor apontam que o número de atendimentos de pretos foi de 63 (5,5%), discrepância que indica as dificuldades desse grupo em ter acesso a cuidados à saúde mental, em face de suas fragilidades socioeconômicas, como baixa escolaridade e renda. CONCLUSÃO: Diante desses dados, comprova-se que os idosos são suscetíveis ao Transtorno Depressivo Maior, por estarem sujeitos a doenças crônicas e neurobiológicas, falta de suporte e eventos estressantes, sobretudo, os piauienses em face das fragilidades econômicas e psicossociais da região, com tais fatores se agravando no pós-pandemia. Portanto, intervenções direcionadas são essenciais para mitigar os fatores de risco associados à depressão entre esse grupo, incluindo melhorias no acesso aos serviços de saúde mental, educação pública sobre saúde emocional e iniciativas para promover o suporte social e a resiliência psicológica nesta população vulnerável.
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