ANEMIA FERROPRIVA NO BRASIL: UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DAS INTERNAÇÕES DE 2020 A 2023

vol 4,2024 - 196066
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Resumo

INTRODUÇÃO: A anemia ferropriva é caracterizada pela diminuição dos níveis de hemoglobina no sangue devido à falta de ferro, um mineral essencial para sua produção. Ademais, é a causa mais comum de anemia no Brasil. Tal condição está associada a diversos fatores, incluindo má alimentação e condições socioeconômicas desfavoráveis. Dentre suas principais consequências encontram-se o atraso no desenvolvimento cognitivo e motor em crianças, aumento do risco de mortalidade materna e complicações na gravidez. OBJETIVOS: Identificar o perfil epidemiológico das internações por anemia ferropriva durante os anos de 2020-2023 registrados no site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). MÉTODOS: Trata-se de estudo epidemiológico, descritivo, com abordagem quantitativa, realizado com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), obtidos no site DATASUS. As variáveis utilizadas foram: internações por ano, caráter de atendimento, região, sexo, faixa etária, e raça. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram analisados 52667 casos de internações por anemia ferropriva no Brasil. Destes, o ano com maior frequência foi 2023 com 29% (15586) casos, seguido de 2022 com 26% (13726) casos. O ano com menor número foi 2020 com 20% (10561). Assim, nota-se um aumento progressivo do número de gerado por aumento no consumo de alimentos processados, diminuindo a ingestão de alimentos nutritivos. Em relação ao caráter de atendimento, 94,2% (49645) foram caráter de urgência, e 5,8% (3022) eletivo. Outrossim, em relação as regiões do Brasil, a região mais acometida foi a Sudeste com 41,6% (21942) casos, e a menos acometida a região Norte 8,2% (4369). Assim, apesar de a região Sudeste ser economicamente desenvolvida, apresenta altos níveis de desigualdade social e populações em situação de pobreza, que está diretamente associada com dietas que carecem de alimentos ricos em ferro e nutrientes. Ademais, em relação ao sexo, as mulheres são mais acometidas, sendo 58% (30783) dos casos, e os homens 42% (21884). Logo, fatores como ciclo menstrual, amamentação, uso de contraceptivos, são alguns dos causadores dessa discrepância. Em relação a faixa etária, os mais acometidos foram idosos >70 anos, com 35% (18561) dos casos. Isso pode ser provocado pela diminuição dos nutrientes que tal faixa etária pode sofrer, bem como a ingesta inadequada por dificuldades de mastigação, ou restrição alimentar. Ademais, os menos acometidos foram crianças de 5 a 9 anos com 0,8% (460) casos. Além disso, em relação a raça, a prevalência de anemia acomete mais os pardos 42% (22551), seguido de brancos 34% (17923). Isso pode ser justificado pelas dificuldades econômicas que a raça geralmente enfrenta no país, gerando a menor ingestão de alimentos ricos em ferro. CONCLUSÃO: Portanto, nota-se que a anemia ferropriva é um desafio significativo para a saúde pública no Brasil. Em suma, observa-se um aumento progressivo de internações a partir do ano de 2020. Ademais, a região Sudeste é mais acometida, além das mulheres, idosos e pardos, em caráter de urgência. Logo, programas de suplementação e fortificação, melhorias nas condições socioeconômicas e no acesso aos serviços de saúde são necessários para reduzir a prevalência da anemia ferropriva no Brasil.

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  • HEMATOLOGIA