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INTRODUÇÃO: A violência é um fenômeno social histórico que afeta todas as regiões, classes sociais e culturas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a violência é definida como o uso deliberado de força ou poder, por ações ou ameaças, contra grupos, comunidades ou contra si, com alta probabilidade de causar lesões, danos psicológicos, morte, prejuízos no desenvolvimento ou privações. Atualmente, esse problema é uma preocupação global, destacando-se nos dados de morbimortalidade e exigindo uma postura ética e cuidadosa dos profissionais de saúde diante da vítima e sua família. OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico dos casos de violência interpessoal e autoprovocada no estado do Piauí entre 2016 e 2022. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e quantitativo, realizado a partir de dados coletados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS), a respeito do perfil dos casos de violência interpessoal e autoprovocada no estado do Piauí entre 2016 e 2022. As variáveis incluídas abrangem: faixa etária, sexo, raça/cor, escolaridade, ano e local de ocorrência. Os dados foram analisados e tabulados no programa Microsoft Excel. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No período analisado, foram registrados 26.805 casos de violência interpessoal e/ou autoprovocada no estado do PI. A maioria das vítimas foi do sexo feminino (72,2%, n=19.340) e pardos (62,5%, n=16.743). Homens representaram 27,8% dos casos (n=7.460) e outras raças, incluindo ignorados, somaram 37,5% (n=10.062), refletindo desigualdades sociais. A maior prevalência foi entre adultos jovens de 20 a 29 anos (19,7%, n=5.280), seguidos por jovens de 15 a 19 anos (15%, n=4.034). Em relação à escolaridade, a incidência foi maior entre os com quinta a oitava série incompleta (12,8%, n=3.430) e menor entre os com ensino superior completo (1,9%, n=510), indicando uma associação entre baixa escolaridade e vulnerabilidade à violência. Entre 2016 e 2019, os casos aumentaram de 3.313 (12,4%) para 4.444 (16,6%), com uma queda em 2020 para 2.926 (10,9%), possivelmente devido à pandemia de COVID-19. Nos dois anos seguintes, os casos subiram novamente, atingindo um pico de 4.836 incidentes (18%) em 2022, evidenciando uma redução na segurança. Os incidentes ocorreram principalmente em residências (66,5%, n=17.822) e em vias públicas (8,2%, n=2.200), mostrando insegurança tanto no âmbito doméstico quanto público. CONCLUSÃO: Dessa forma, o perfil epidemiológico aqui retratado revela um aumento dos casos de violência interpessoal e autoprovocada no estado do PI entre 2016 e 2022, exceto no ano de 2020, destacando a urgência de intervenções necessárias. As vítimas foram predominantemente do sexo feminino, indivíduos da raça parda, adultos entre 20 e 29 anos e com níveis de escolaridade fundamental incompleta. A maioria dos incidentes ocorreu em residências. Com a compreensão desse padrão de violência, é possível elaborar ações preventivas direcionadas a essa população, visando minimizar a ocorrência e as consequências desse problema na sociedade piauiense.
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