ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS DE SÍFILIS GESTACIONAL E CONGÊNITA NO BRASIL ENTRE 2013 E 2022

vol 4,2024 - 196059
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Resumo

INTRODUÇÃO: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, em que há possibilidade de transmissão vertical, sendo essa bactéria um agente teratogênico que pode causar aborto espontâneo, morte fetal precoce, morte neonatal e parto prematuro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que anualmente ocorram de 1,5 a 1,85 milhão de casos de sífilis gestacional no mundo. Diante da gravidade da doença durante a gestação, a OMS estabeleceu uma meta de 0,5 caso do tipo sífilis congênita por 1 mil nascidos vivos. OBJETIVO: Analisar a epidemiologia da sífilis gestacional e congênita no Brasil, de 2013 a 2022. METODOLOGIA: Estudo ecológico, retrospectivo, quantitativo e descritivo acerca dos casos de sífilis gestacional e congênita no Brasil, entre 2013 e 2022, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponível no DATASUS. Foram analisadas as variáveis: ano de diagnóstico, local de ocorrência, realização de pré-natal e período de diagnóstico. RESULTADOS: Analisando a série histórica, o número de casos de sífilis congênita aumentou de 4,86 por mil nascidos vivos em 2013 para 10 por mil nascidos vivos em 2022, com a porcentagem de grávidas com nascidos vivos que fizeram pré-natal subindo de 96% para 98?2013a2022, essa mesma porcentagem para grávidas com gestações resultantes em sífilis congênita subiu de 75% para 82% no período analisado. A região com mais casos por mil habitantes em 2022 é a sudeste, com 11,43 por mil habitantes, região que também possui o maior crescimento de 2013 a 2022, indo de 5,33 para 11,43 por mil nascidos vivos. Nos 10 anos analisados a sífilis gestacional apresentou um crescimento de 274%, porém, em 2013 cerca de 67% dos casos de sífilis gestacional ocasionaram em sífilis congênita, enquanto em 2022 esse número caiu para 32,9%. Nos casos de sífilis congênita a identificação de sífilis materna no pré-natal foi de 44,9% em 2013 para 59,8% em 2022. DISCUSSÃO: O número de casos por mil habitantes de sífilis congênita se mostrou bastante elevado, com 20 vezes mais casos do que o estipulado pela meta, aparentemente contrariando a diminuição dos casos de sífilis gestacional que ocasionaram a sífilis congênita, mas que pode ser explicado pelo aumento bruto da própria sífilis gestacional. Ademais, a sífilis é uma doença bem estudada, que já possui protocolos de diagnóstico e de tratamento, ambos simples e eficazes, que possuem cada vez mais acessibilidade devido à rede cegonha, implementada em 2011, mesmo assim, a porcentagem de grávidas que geraram filhos com sífilis congênita e realizaram pré-natal se mostra bastante preocupante, pois chega a 82%, evidenciando que nesses casos o pré-natal não foi de alta qualidade. CONCLUSÃO: O número elevado e crescente de casos de sífilis congênita evidencia a urgência de investimento no pré-natal, para que se possa identificar e tratar a sífilis gestacional cada vez mais precocemente e tratá-la de forma adequada. Além disso, o tratamento da sífilis como um todo também é benéfico, uma vez que possibilita a redução da ocorrência de novos casos de sífilis gestacional.

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Eixo Temático
  • PEDIATRIA/NEONATOLOGIA