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INTRODUÇÃO: Intoxicações exógenas podem ser compreendidas como um conjunto de efeitos nocivos que se manifestam por meio de alterações clínicas ou laboratoriais devido ao desequilíbrio orgânico causado pela interação do sistema biológico com um ou mais agentes tóxicos. No contexto do estado do Piauí, a incidência e os padrões das intoxicações exógenas são de interesse epidemiológico e clínico devido ao seu impacto na saúde pública, requerendo uma análise aprofundada e abrangente. OBJETIVOS: Analisar os casos de intoxicações exógenas nas macrorregiões do Piauí no período de 2014 a 2023. MÉTODOS: Estudo transversal, retrospectivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, com dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), referente aos casos de intoxicações exógenas nas macrorregiões do Piauí, durante os anos de 2014 a 2023. As variáveis ano de notificação, casos confirmados, taxa de incidência, evolução, agente tóxico utilizado, circunstâncias e faixa etária foram analisadas ao longo da década. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No período, foram registrados 16.769 casos de intoxicações exógenas (IE) no Piauí. Os anos com maior e menor taxa de incidência de IE foram o de 2019 (73,31 casos por 100 mil habitantes) e de 2014 (33,20 casos por 100 mil habitantes), respectivamente. A Macrorregião Litoral, com exceção do ano de 2015, apresentou as menores incidências de IE durante os anos de 2014-2021 (2014 apresentando a menor taxa incidência, com 16,19 casos por 100 mil habitantes). No intervalo de 2014-2016, a Macrorregião Semi-árido apresentou as maiores taxas de incidência do estado (2014 apresentando a maior taxa incidência, com 74,82 casos por 100 mil habitantes), e no intervalo de 2017-2021, a Macrorregião de Cerrados apresentou as maiores incidências de IE (2019 apresentando a maior taxa de incidência, com 125,45 casos por 100 mil habitantes). As macrorregiões que apresentaram os maiores e menores percentuais de pessoas que evoluíram para cura da IE sem sequela foram Cerrados (82,04%) e Litoral (53,30%), respectivamente. Quanto ao agente tóxico, o principal foram os medicamentos, com 9.725 casos, com maior número de casos no Meio-norte (4.645 casos) e menor no Litoral (1.293 casos). Agrotóxicos agrícolas totalizaram 328 casos, com destaque para Cerrados (103 casos). Agrotóxicos domésticos somaram 257 casos, com maior ocorrência no Meio-norte (114 casos). Produtos de uso domiciliar registraram 1.107 casos, com maior quantidade no Meio-norte (577 casos). O grupo de maior ocorrencia dos casos de IE eram: mulheres (63,13%), tinham entre 20-39 anos (40,05%), se intoxicaram com medicamentos (58%) e tinham como cicurstancia a tentativa de suicídio (45,56%), indo ao encontro de dados já divulgados na literatura. CONCLUSÃO: A análise revelou variações significativas nas taxas de incidência entre as macrorregiões, em especial nos Cerrados e no Litoral, exceto em 2015. Medicamentos foram os agentes tóxicos principais e a evolução clínica variou, com maior proporção de recuperação nos Cerrados. A tentativa de suicídio foi a circunstância mais comum associada às intoxicações. Logo, conclui-se a importância de políticas públicas específicas para reduzir tais eventos.
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