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INTRODUÇÃO: Define-se trauma intracraniano como aquele causado por uma batida, impacto ou choque na cabeça que leve à perfuração da caixa craniana, comprometendo estruturas do encéfalo e meninges, além da caixa craniana e do couro cabeludo, o que, em geral, causa perturbação da função cerebral. No Brasil, está associado sobretudo à parcela jovem e adulta da população, principalmente quando se leva em conta os acidentes automobilísticos. Nesse sentido, impacta tanto pelo comprometimento à funcionalidade psicossocial dos acometidos (pode haver grave déficit cognitivo e/ou físico) quanto pelo ônus gerado aos sistemas de saúde pelos gastos de internação, terapêuticos e de reabilitação. OBJETIVOS: Definir um perfil epidemiológico do traumatismo intracraniano no estado do Piauí (Brasil) através das internações por tal na série temporal de 2012 a 2023, visando asserir o perfil de acometimento conforme faixa etária, sexo e distribuição pelas macrorregiões de saúde do estado. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, do tipo ecológico analítico das internações por traumatismo intracraniano no estado do Piauí, entre 2012 e 2023, considerando variáveis sociodemográficas (sexo e idade), dispersão espacial nas regiões e macrorregiões de saúde e distribuição temporal ao longo do período. Os dados foram selecionados e coletados conforme a tipologia de morbidade da versão 10 da Classificação Internacional de Doença (CID-10), provindos do Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS), pertencente ao sítio eletrônico do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Eles foram organizados em planilhas no Microsoft Excel e calculadas a proporção e a taxa média de internação. Realizou-se uma análise estatística descritiva e o p-valor das variáveis sociodemográficas foi calculado por meio do teste de Qui-quadrado pela plataforma OpenEpi (p-valor <0,05 = de significância estatística). RESULTADO E DISCUSSÃO: Durante os anos de 2012 a 2023 no Piauí, foram registradas 26.294 internações por traumatismo intracraniano, havendo aumento do número de casos ao longo do período citado. A taxa média de internação por essa morbidade foi significativamente maior para a população masculina (112,6 internações/100 mil hab., IC95% = 107,4-112,67, p-valor < 0,0000001) e maiores de 60 anos (88,1 internações/100 mil hab., IC95% = 72,4-100,5, p-valor < 0,0000001) — evidenciando a suscetibilidade senil devido à fraqueza óssea e à incoordenação característica dessa idade —, seguido pela faixa de 15-39 anos (83,6 internações/100 mil hab., IC95% = 77,5-91,25, p-valor < 0,0000001), na qual grande parte deriva de acidentes de trânsito. Outrossim, houve um predomínio do número de internações na região de saúde Entre Rios (n° = 10.120, 38%) e macrorregião Meio Norte (44,5%, n° = 11.689), haja vista o maior contingente populacional das localidades. CONCLUSÃO: Conforme a análise, demonstrou-se a prevalência da morbidade do trauma intracraniano para as parcelas masculina e idosa (maior de 60 anos) entre a população piauiense, com predomínio de casos na região Entre Rios e macrorregião Meio Norte. Esses dados podem embasar a formulação de ações em saúde que coíbam a ocorrência desses traumas e estimulem o interesse médico no desenvolvimento de melhores medidas de tratamento e cuidado para essa condição.
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