ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE ÓBITOS INFANTIS RELACIONADOS A DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO NO BRASIL DE 2013 A 2022

vol 4,2024 - 196051
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Resumo

INTRODUÇÃO: A mortalidade infantil é um importante indicador das condições de vida e de saúde de uma determinada população, indicando o risco de um nascido vivo ir a óbito antes de alcançar o primeiro ano de vida. Observando o cenário brasileiro, inúmeros são os fatores que contribuem para o ainda elevado número de mortes entre as crianças residentes no país. Dentre tais fatores contribuintes estão as doenças do aparelho respiratório, o que evidencia a relevância da abordagem levantada no presente estudo. OBJETIVOS: Analisar a epidemiologia dos óbitos infantis por doenças relacionadas ao aparelho respiratório no Brasil de 2013 a 2022. MÉTODOS: Estudo transversal descritivo, quantitativo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). As variáveis analisadas foram: faixa etária detalhada, mês do óbito e região geográfica de ocorrência das mortes por quadros de doenças respiratórias. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No contexto da década analisada, registrou-se 15.560 óbitos infantis por doenças do aparelho respiratório no território nacional. Considerando-se a variável faixa etária, observa-se que a maioria das mortes registradas deu-se do primeiro ao sexto mês de vida, seguindo a seguinte distribuição: 21,3% no primeiro mês de vida, 15,1% no segundo mês de vida, 11,40% no terceiro mês de vida, 9,1% no quarto mês de vida, 7,6% no quinto mês de vida e 6,3% no sexto mês de vida. Em relação ao mês de registro do óbito, as informações demonstram uma maior eventualidade nos meses de maio (12,8%), junho (11,3%), abril (10,3%), julho (9,7%) e março (8,6%). Por fim, sob a óptica da região de ocorrência dos óbitos, a maioria das mortes ocorreu na região Sudeste, a qual foi responsável pelo montante de 33,1%, seguida pela região Nordeste com 29,5% e pela região Norte, que registrou 20,5% dos casos. Nesse sentido, a predisposição de casos na infância pode ser relacionada à imaturidade do sistema imunológico e ao baixo calibre das vias aéreas, o qual pode ser deprimido em razão da sazonalidade climática, dificultando a remoção de vírus e de bactérias do epitélio respiratório e, assim, favorecendo a evolução de disfunções respiratórias significativas. Ademais, é possível inferir que os resultados obtidos fornecem um panorama do desequilíbrio ambiental que contribui para a mortalidade no país, haja vista que nas regiões mais afetadas predominam cenários de poluição atmosférica devido ao desenvolvimento industrial (Sudeste) ou a queimadas associadas ao desmatamento da vegetação nativa (Nordeste e Norte). É válido considerar, também, o impacto da baixa cobertura vacinal observada nos últimos anos, pois a imunização por intermédio de vacinas é o principal mecanismo de contenção de manifestações graves de agentes etiológicos ligados a algumas doenças respiratórias, como, por exemplo, o vírus da influenza. CONCLUSÃO: No tempo considerado, os dados apontam uma maior prevalência de óbitos infantis por doenças relacionadas ao aparelho respiratório em crianças com um mês de vida, durante o mês de maio e na região Sudeste do país, revelando a necessidade de ações de prevenção, tratamento e redução de danos a esse público.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA