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INTRODUÇÃO: A colpocitologia oncótica é o exame usado no rastreio do câncer de colo uterino (CCU), o qual avalia as células da cérvix uterina. De acordo com o Ministério da Saúde, o rastreio deve iniciar aos 25 anos devendo ser realizado anualmente, aumentando o intervalo para três anos, após dois exames anuais consecutivos normais; os exames devem seguir até 64 anos, interrompendo seu rastreio após dois resultados normais consecutivos nos últimos cinco anos. Dentre as alterações encontradas, as de células escamosas são as mais prevalentes, seguidas pelas alterações glandulares. OBJETIVOS: Relatar as principais alterações citopatológicas de colo uterino encontradas em pessoas acima dos 60 anos no estado do Piauí, no período de 2019 a 2023. MÉTODOS: Trata-se de um estudo retrospectivo descritivo com abordagem quantitativa com dados provenientes do DATASUS, por meio do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN - colo do útero). As variáveis usadas foram: faixa etária, laudo citopatológico e ano do resultado. Por tratar-se de dados de demonstração pública, foi dispensada a avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). RESULTADOS E DISCUSSÃO: De acordo com a pesquisa, foram realizados 30.598 exames na faixa etária e no período estabelecido, dentre eles, 1.329 (4,3% do total) deram alterados. Dentre os exames alterados, 1276 (96%) foram alterações em células escamosas; especificamente 889 (66,9%) identificados como ASC-US (Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado), 212 (15,9%) como ASC-H (Células Escamosas Atípicas - não podendo descartar lesão de alto grau), 58 (4,4%) como LSIL (Lesão Intraepitelial de Baixo Grau), 104 (7,8%) como HSIL (Lesão Intraepitelial de Alto Grau) e 13 (1%) como CEI (Carcinoma Epidermoide Invasor). Essa ordem de prevalência se manteve em quase todas as idades analisadas, exceto acima dos 79 anos, onde o número de HSIL (7) superou o de ASC-H (6) e onde o número de CEI (2) superou o de LSIL (0). As alterações glandulares representaram apenas 4% (53) das anormalidades encontradas. Entre as idades analisadas, o intervalo que apresentou maior quantidade de exames realizados e, consequentemente, de alterações encontradas, foi entre 60 e 64 anos, com 53,6% (16.400) do total de exames do estudo e 53% (705) dos resultados alterados analisados. A quantidade de exames realizados e alterações citopatológicas encontradas diminuiu paralelamente com a idade, regredindo dos 65 a 69 anos (8.508 exames e 379 alterações) até pacientes acima dos 79 anos (606 exames e 34 alterações). CONCLUSÃO: A combinação de dados permite observar que as possíveis alterações precursoras de CCU, principalmente aquelas mais oncogênicas (HSIL e CEI), são encontradas mesmo em idades mais avançadas, acima dos 60 anos, faixa etária em que as diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a interrupção do rastreio dessa neoplasia. Além disso, a diminuição proporcional da realização de exames e da quantidade de alterações encontradas com a idade dos pacientes pode advir do rastreio insuficiente, o que reforça a necessidade de um rastreamento mais efetivo da patologia abordada ou mesmo de uma reavaliação da idade alvo, visto que a expectativa de vida da população brasileira vem aumentando com os anos.
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