ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA MORTALIDADE MATERNA NA REGIÃO DO NORDESTE BRASILEIRO ENTRE OS ANOS DE 2013 E 2022

vol 4,2024 - 196039
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Resumo

INTRODUÇÃO: As mortes maternas são caracterizadas como óbitos de mulheres durante o período gestacional, parto ou até 42 dias de puerpério, por causas decorrentes ou agravadas pela gestação. Nesse aspecto, fatores que não têm relação direta com a gravidez são excluídos desta classificação, como acidentes e demais fatalidades. Diante do exposto, os índices de mortes maternas caracterizam-se como parâmetros para avaliar a qualidade do serviço de saúde, uma vez que consiste em um indicador que demostra as condições sociais de uma população e o acesso ao acompanhamento adequado nas redes públicas de atendimento. Nesse cenário, destaca-se que uma quantidade considerável das mortes maternas ocorre por causas evitáveis, caracterizando uma falha dos serviços de saúde. Além disso, ressalta-se que políticas de acompanhamento gestacional, reforçadas pela longitudinalidade do cuidado são ferramentas fundamentais para a redução dos óbitos de mulheres em decorrência do processo reprodutivo. OBJETIVOS: Analisar o perfil epidemiológico da mortalidade materna na Região do Nordeste brasileiro entre os anos de 2013 e 2022. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal, observacional e de abordagem quantitativa realizada por busca de dados no DATASUS, no Sistema de Informações sobre Mortalidade. As variáveis utilizadas foram: ano de notificação, região/UF de notificação, capítulo do CID-10 (XV gravidez, parto e puerpério), estado civil, faixa etária e cor/raça. Os dados coletados foram devidamente tabulados e analisados em Excel. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O Nordeste registrou o segundo maior número de mortes maternas entre 2013 e 2022, precedido apenas pela Região Sudeste (6.408). No período dos 10 anos analisados foram notificados 5.767 óbitos maternos por causas decorrentes ou agravadas pela gestação, parto ou puerpério na Região Nordeste do Brasil. No ano de 2021 foram registrados os maiores números dessas mortes (838). Destaca-se o Estado da Bahia com o maior registro de óbitos no período estudado (1.361), seguido pelos Estados Maranhão (1.023) e Ceará (875). Sergipe apresentou o menor número notificações (216). Houve maior notificação de óbitos em mulheres durante o puerpério, até 42 dias (3.149). A faixa etária em que mais ocorreram óbitos foi entre 30 e 39 anos (2.333). Há maiores registros de óbitos de mães identificadas com a cor parda (3.932) e com estado civil classificado em solteiro (2.653). CONCLUSÃO: Dessa forma, nota-se a necessidade de intervenções em saúde com o intuito de reduzir os índices de mortalidade materna na Região Nordeste do Brasil. Nesse aspecto, é válido ressaltar a importância de reforçar o acompanhamento pré-natal, bem como monitorar a saúde das mulheres durante o parto e o puerpério. Essas ações devem ser intensificadas principalmente para a parcela feminina entre 30 e 39 anos, dada a suscetibilidade desta faixa etária à maiores complicações. Dessa forma, o estudo demostra a necessidade de intervenções nesse cenário, com o intuito de reduzir a quantidade de mortes maternas nessa região.

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Eixo Temático
  • SAÚDE PÚBLICA