ANÁLISE DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO E DO EXAME DE CITOLOGIA NO ESTADO DO PIAUÍ NO PERÍODO DE 2014 A 2023: UM ESTUDO ECOLÓGICO

vol 4,2024 - 196038
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Resumo

INTRODUÇÃO: A neoplasia maligna do colo do útero é a terceira neoplasia mais incidente na população feminina brasileira. O câncer de colo de útero é prevenível, e curável quando diagnosticado precocemente. O método convencional para rastreamento da neoplasia é o exame citopatológico do colo do útero, ou teste de Papanicolau, considerado de baixo custo, simples e de fácil execução. OBJETIVO: Avaliar os casos notificados de neoplasia maligna do colo do útero segundo a realização de exame citológico do colo do útero no estado do Piauí entre os anos de 2014 a 2023. MÉTODO: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e comparativo entre os anos de 2014 e 2023, cujos dados foram obtidos por meio do banco de dados provenientes do DATASUS – Sistema de Informações de Câncer (SISCAN) – Piauí. Foram analisadas variáveis que incluem a taxa de internação, a taxa de mortalidade, o exame de citologia do colo, e a faixa etária utilizando regressão linear simples pelo software GraphPad Prism. RESULTADOS e DISCUSSÃO: De 2014 até o ano de 2019 foi perceptível uma diminuição de cerca de 33 casos ao ano (Y = -33,43*X + 67801; P = 0,0199) e entre 2020 e 2023 um aumento de 45 casos ao ano (Y = 45,10*X – 90820; P = 0,0151) no número de internações devido a neoplasia de colo do útero. No período de 2014 e 2020 o valor da mortalidade pelo câncer uterino teve uma tendência de queda (Y = -0,03257*X + 65,91; P = 0,0495), e de 2020 a 2023 uma ascensão (Y = 0,02000*X - 40,29; P = 0,0241). Analisando a realização de exames citológico nos anos de 2014 a 2020 é perceptível uma redução (Y = -0,2091*X + 424,1; P = 0,0170), já entre 2020 a 2023 há um aumento (Y = 0,2600*X - 523,5; P = 0,0152). Ademais, a faixa etária mais engajada no rastreamento foi a de 40 a 44 anos, com 57.123 exames realizados (13%). Dessa forma, analisando os dados observa-se uma queda na taxa de internações, na taxa de mortalidade e na realização do exame citológico do colo do útero entre os anos de 2014 e 2019, seguido de um aumento expressivo de 2020 a 2023. CONCLUSÃO: Portanto, nota-se uma mudança expressiva no panorama do estado entre 2014-2019 e 2020-2023, com alterações significativas em internações, mortalidade e número de exames citopatológicos. O crescimento inicial do rastreamento do colo do útero pode estar associado à ampliação do acesso aos exames e à maior conscientização das mulheres, impulsionadas por políticas públicas de incentivo e pela detecção precoce da doença. É importante ressaltar que a queda nos casos em 2020 pode ter sido influenciada pela pandemia da COVID-19, que gerou adiamentos e cancelamentos de diversos serviços de saúde, inclusive exames de rastreamento para outras doenças. Dessa forma, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de um prognóstico favorável, permitindo que as mulheres enfrentem a doença com mais chances de sucesso.

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Eixo Temático
  • ONCOLOGIA