ANÁLISE DA CORRELAÇÃO ENTRE FATORES CLIMÁTICOS E DISTRIBUIÇÃO DA LEISHMANIOSE VISCERAL NO ESTADO DO PIAUÍ ENTRE 2012 E 2022

vol 4,2024 - 196037
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Resumo

INTRODUÇÃO: A Leishmaniose visceral (LV), é uma doença emergente e em expansão geográfica no Brasil, podendo evoluir para óbito em 90% dos casos quando não tratada. No Brasil, a LV era considerada uma doença de caráter rural, porém, atualmente esta caracterização não se aplica, uma vez que a doença vem se tornando epidêmica no espaço urbano. Dentre os fatores contribuintes para tal expansão, podemos citar: migração, ocupação urbana não planejada, mudanças ambientais e climáticas que interferem no ciclo do vetor, promovendo condições favoráveis para a reprodução do mosquito palha que é transmissor da infecção. OBJETIVOS: Identificar a correlação entre fatores climáticos de diferentes regiões em meses alternados e distribuição da leishmaniose no estado do Piauí entre 2012 e 2022. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de base populacional, com abordagem quantitativa, utilizando dados secundários de casos autóctones de Leishmaniose Visceral referentes ao período de 2012 a 2022 no estado do Piauí, obtidos no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) aliados ao Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS), por intermédio do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As variáveis foram tabuladas e analisadas descritivamente no programa GraphPad Prism. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Entre os períodos de 2012-2022 foram notificados 1993 casos de LV no Piauí, sendo que o ano de maior representatividade foi 2014 com 14,19% (n=283) das notificações. Dentre esses casos, 81,88% (n=1632) ocorreram na macrorregião Meio Norte, enquanto apenas 4,46% (n=89) dos casos foram registrados na macrorregião do Semiárido. Ademais, nesse período, os meses com maior agravos de notificação correspondem ao intervalo de junho a setembro, sobretudo o mês de agosto representando um total de 10,23% (n=204). Em relação às internações, observou-se um predomínio de casos nas regiões Entre Rios (n=684) e Cocais (n=260) representando juntos cerca de 56% dos registros e uma redução desses em Tabuleiros do Alto Parnaíba (n=16) e Vale do Sambito (n=41) correspondendo somente a 3,37%. Desse modo, nota-se que a diferença significativa de casos entre as macrorregiões é explicada pelo contraste dos aspectos climáticos nesses ambientes, como presença de vegetação mais densa e maior disponibilidade de água na macrorregião Meio Norte em relação ao Semiárido. Além disso, observa-se a influência de fatores, como temperatura e precipitação, especialmente no período de junho a setembro, visto que representam os meses da transição entre a estação seca e chuvosa nesse estado. Quanto à análise das internações, vale ressaltar a região dos Cocais e Entre Rios, na qual se localiza também a capital Teresina, o predomínio de casos sendo justificado tanto pela ocupação urbana quanto pelas especificidades climáticas do município, caracterizado por altas temperaturas médias anuais e uma estação chuvosa concentrada entre os meses de janeiro e abril. CONCLUSÃO: A LV deve ser objeto constante de ações públicas, visando ao maior esclarecimento da população-alvo. Portanto, impende salientar a importância de estratégias regionais e temporais específicas para o controle e prevenção da LV no Piauí.

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