ANÁLISE COMPARATIVA DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA DOENÇA DE CROHN E COLITE ULCERATIVA NO PIAUÍ E NO BRASIL NO PERÍODO DE 2014 A 2023

vol 4,2024 - 196033
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Resumo

INTRODUÇÃO: A doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa (RCU) são as principais formas de doenças inflamatórias intestinais (DII), caracterizadas por inflamação crônica imunomediada do intestino, de causa idiopática, com particularidades específicas. As DII ocorrem globalmente, afetando preferencialmente jovens, com recorrências frequentes e manifestações graves, o que torna essencial a compreensão da sua evolução para a elaboração de estratégias de saúde pública. OBJETIVOS: Analisar comparativa e estatisticamente o perfil epidemiológico da DC e RCU entre 2014 e 2023 no Piauí e no Brasil. MÉTODOS: Estudo epidemiológico ecológico com dados de morbidade hospitalar do DATASUS do período de 2014 a 2023. As variáveis - internações, sexo, mortalidade - foram tabuladas no Microsoft Excel e analisadas estatisticamente, mediante regressão linear e teste de correlação de Pearson, no software GraphPad Prism, sendo considerados significantes valores de p<0,05. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No Brasil, houve uma correlação positiva estatisticamente significativa entre o número de internações por DC e RCU durante o período estudado (p=0,0013; r=0,8636). A regressão linear dos dados sugere um aumento de 230 casos/ano (Y=230,6X-460542), com um crescimento mais acentuado nos últimos quatro anos (2020-2023), período em que o aumento foi de 738 casos/ano (Y=738,4X-1487262). No Piauí, não houve correlação estatisticamente significativa (p=0,7775; r=0,1028), e a regressão linear sugere um aumento discreto de apenas 0,6 casos/ano. Contudo, foram observados outliers notáveis, com um aumento de mais de 50% dos casos de 2014 para 2015 e uma redução equivalente de 2019 para 2020. Quanto ao sexo, no Piauí, os homens representaram 53,39% das internações, contrariando os valores esperados pela epidemiologia, enquanto no Brasil, as mulheres predominaram com 52,84%, em concordância com a literatura sobre a prevalência das DII no sexo feminino. Em relação à mortalidade, a taxa no Piauí foi de 2,73, com a análise de regressão mostrando uma tendência de queda ao longo do período (Y=-0,06683X+137,9). No entanto, essa taxa ainda é 13,75% maior do que a do Brasil, que foi de 2,4, onde a mortalidade manteve-se praticamente constante (Y=-0,007394X+17,34). CONCLUSÃO: Tanto no Brasil quanto no Piauí, observou-se uma tendência de crescimento das internações por DC e RCU ao longo do período analisado, sendo mais relevante nacionalmente, especialmente nos últimos 4 anos, enquanto no Piauí o aumento foi discreto. O Piauí apresenta maior porcentagem de homens internados por DII, contrariando a tendência nacional e a literatura. Além disso, embora a mortalidade no Piauí tenha mostrado uma tendência de queda, ainda é maior em comparação com o Brasil, onde a mortalidade manteve-se praticamente constante.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA