ANÁLISE COMPARATIVA DE ÓBITOS MATERNOS ENTRE BRASIL, NORDESTE E PIAUÍ NOS ANOS DE 2013 A 2022.

vol 4,2024 - 196032
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Resumo

INTRODUÇÃO: O óbito materno é um indicador da qualidade dos sistemas de saúde e bem-estar social, refletindo as desigualdades no acesso e na qualidade dos serviços de saúde oferecidos às gestantes. OBJETIVOS: Comparar o perfil epidemiológico dos casos de óbitos maternos no Piauí, no Nordeste e no Brasil, de janeiro de 2013 a dezembro de 2022. MÉTODOS: Foi realizado um estudo ecológico, descritivo e retrospectivo sobre os óbitos maternos no Piauí, Nordeste e Brasil, de janeiro de 2013 a dezembro de 2022. Os dados, obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), incluíram variáveis como cor, faixa etária, escolaridade, e tipo de óbito materno. O Microsoft Excel® foi utilizado para tabulação e análise dos dados. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Em relação à faixa etária, no Nordeste e Brasil a mais afetada foi a de 30 a 39 anos, representando 41% (1,971) dos casos e 42% (6,778) dos casos, respectivamente. Já no Piauí a faixa etária mais afetada foi a de 20 a 29 anos, com 41% dos casos (155). Nas três regiões a população parda foi a mais afetada, com 73% dos casos no Piauí, 68% no Nordeste e 52% no Brasil. Em relação à escolaridade, a faixa 8 a 11 anos foi a mais prevalente nas três regiões, com 30% dos casos no Piauí, 36% no Nordeste e 42% no Brasil. Constatou-se que em 2021 houve o maior aumento na razão de mortalidade materna (RMM), com incrementos de 173% no Brasil, 151,5% no Nordeste e 145,1% no Piauí. As maiores RMM’s no período estudado também foram observadas em 2021, com 94,67 no Brasil, 86,95 no Nordeste e 114,6 no Piauí. No mesmo período, a média da RMM foi de 54,7 no Brasil, 57,3 no Nordeste e significativamente maior no Piauí, com 79. Durante a pandemia de COVID-19, especialmente entre 2020 e 2021, houve um aumento significativo na RMM. No Brasil, a RMM aumentou de 57,7 em 2020 para 94,6 em 2021, representando um aumento de aproximadamente 63,8%. No Nordeste, a RMM aumentou de 65,9 em 2020 para 86,9 em 2021, um incremento de aproximadamente 31,89%. No Piauí, a RMM subiu de 70,8 em 2020 para 114,6 em 2021, um aumento de cerca de 61,7%. Em relação ao tipo de morte materna, a morte obstétrica direta foi a mais prevalente durante a maioria dos anos excetuando-se 2021, correspondendo a 59% (9,430), 64% (3,044) e 70% (267) dos casos no Brasil, Nordeste e Piauí, respectivamente. Já em 2021, em todas as 3 regiões pesquisadas, a morte materna indireta foi a mais prevalente, correspondendo a 65,7% (1,809), 59,1% (428) e 54,5% (30) no Brasil, Nordeste e Piauí, respectivamente. CONCLUSÃO: A morte obstétrica direta é uma causa significativa de morbidade materna no Brasil, refletindo deficiências na assistência pré-natal e na atenção básica às gestantes e puérperas. É crucial mobilizar recursos para mitigar essa situação.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA