Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: O adenocarcinoma de colo uterino é uma neoplasia cervical pouco comum, porém significativa, de neoplasia cervical, caracterizada pela proliferação maligna das células glandulares do epitélio cervical. Surge muitas vezes na zona de transformação endocervical. A etiologia exata permanece indefinida, embora fatores como infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente pelos subtipos HPV-16 e HPV-18, sejam determinantes. A prevalência tem sido relatada com menos frequência, mas o manejo clínico continua desafiador, pela variedade de apresentações e necessidade de abordagens terapêuticas personalizadas. RELATO DE CASO: Paciente feminina, 35 anos, foi submetida em 2018 a colposcopia que evidenciou lesão vegetante no colo uterino após queixa de metrorragia, laudo patológico descrevendo adenocarcinoma bem diferenciado estadiado em IIIB. No entanto, tratamento foi adiado devido à gravidez, sendo optado por iniciar tratamento após término da gestação. Paciente retornou ao ambulatório de oncologia do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí após 2 anos de diagnóstico oncológico, em janeiro de 2020, para enfim iniciar o tratamento, porém, foi mais uma vez adiado devido a uma segunda gestação. Em decisão conjunta da ginecologia e oncologia clínica, realizou-se um parto antecipado com 33 semanas de gestação devido ao aumento da sintomatologia, com dor pélvica e sangramento transvaginal intenso, com o nascituro indo a óbito 10 dias após o nascimento devido a complicações gestacionais. Depois do parto, inicia o tratamento oncológico com quimioterapia à base de cisplatina 40mg/m2 semanal e radioterapia concomitantes, finalizando em agosto de 2020. Durante o tratamento, foi realizada tomografia de abdome evidenciando lesão infiltrativa, heterogênea e ulcerada com focos de necrose, de dimensões 10,2 x 9,5 x 8,2 cm mantendo estreito contato com o assoalho vesical além de retossigmoide e linfonodomegalia das cadeias ilíacas comuns e obturatórias. Após 30 dias do término do tratamento, ressonância magnética de pelve confirmou redução do volume, mas com doença ainda em atividade. Foi feita ainda colposcopia insatisfatória, mas que mostrou acometimento vaginal pela doença. Em julho de 2022, paciente é submetida a histerectomia total, salpingectomia bilateral e ooforectomia esquerda, a análise desses tecidos evidenciando ausência de malignidade. Em janeiro de 2024, foi realizada nova ressonância magnética, dessa vez revelando tecidos de contornos regulares e marcadamente hipointensos em loja uterina pós-histerectomia, sem evidência de doença. Os achados não revelaram tecido tumoral viável e expressaram uma melhora no quadro da paciente. Atualmente, segue em acompanhamento multiprofissional com bom prognóstico e sem sequelas do tratamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Embora não seja a forma mais comum de neoplasia maligna do colo uterino, devido à melhora no rastreio, observa-se um aumento nos índices diagnósticos de adenocarcinoma. É importante destacar que os casos em gestantes possuem terapêuticas diferentes a depender do estágio e das características gestacionais, como idade gestacional e viabilidade fetal. Portanto, rastreamento, prevenção e manejo correto devem estar fortemente presentes no âmbito da atenção primária a fim de diminuir a incidência dessa neoplasia.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Eixo Temático
  • ONCOLOGIA