Equação com aplicabilidade clínica e adequada validade para predizer o consumo máximo de oxigênio de indivíduos pós-acidente vascular encefálico

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Resumo

Introdução: Diretrizes clínicas recomendam a avaliação da aptidão cardiorrespiratória (ACR) (consumo máximo de oxigênio (VO2max)) e a prescrição de exercícios aeróbicos para indivíduos pós-AVE1,2. O teste de esforço cardiopulmonar (TECP), critério de referência para avaliação desse desfecho, tem aplicabilidade clínica limitada3. Como alternativa, equações para predizer o VO2max têm sido utilizadas3. Porém, nenhuma equação foi desenvolvida para indivíduos pós-AVE e as equações já existentes para indivíduos sedentários não apresentam adequada validade para predizer o VO2max de desses indivíduos4. Portanto, uma equação específica para indivíduos pós-AVE precisa ser desenvolvida para que os fisioterapeutas possam inferir sobre a ACR de indivíduos pós-AVE.
Objetivos: Desenvolver uma equação com aplicabilidade clínica e adequada validade para predizer o VO2max de indivíduos pós-AVE.
Método: Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo comitê de ética, que recrutou indivíduos pós-AVE na fase crônica (>6 meses), com idade ≥20 anos, e capazes de deambular independentemente. Etapa-1 (desenvolvimento da equação): foram realizadas análises de regressões múltiplas. Variável dependente: VO2max (ml.kg–1.min–1) obtido no TECP. Variáveis independentes: idade (anos), sexo (1-feminino, 2-masculino), índice de massa corporal (IMC) (kg/m2) e distância (metros) no Teste de Caminhada de Seis Minutos (TC6) (Equação-1) ou no Incremental Shuttle Walk Test (ISWT) (Equação-2). Etapa-2 (investigação da validade): a concordância entre o VO2max medido e o predito foi avaliada com o coeficiente de correlação intraclasse (ICC) com intervalo de confiança de 95% (IC95%) e o método de Bland-Altman (α=5%).
Resultados: Etapa-1: 50 indivíduos (55±12 anos) foram avaliados. As quatro variáveis independentes para cada equação foram retidas nas equações (Equação-1: R²=0,68, p<0,001; Equação-2: R²=0,58, p<0,001). Etapa-2: 20 indivíduos (58±8 anos) foram avaliados. Equação-1: CCI=0,73 (IC95%=0,30, 0,89; p=0,004), viés médio=0,003 ml.kg–1.min–1. Equação-2: ICC impreciso (IC95%=-0,12, 0,82), viés médio=0,971 ml.kg–1.min–. A Equação-1 (VO2max=22,239+0,02*distância no TC6+4,039*sexo-0,157*idade-0,265*IMC) apresentou validade adequada.
Conclusão: Apenas a Equação-1 apresentou adequada validade e, portanto, deve ser utilizada com indivíduos pós-AVE para predizer a ACR desses indivíduos, na impossibilidade da realização do TECP, uma vez que ela apresenta aplicabilidade clínica e adequada validade.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
  • 2 Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais
Eixo Temático
  • 06. Fisioterapia Neurofuncional
Palavras-chave
Aptidão Cardiorrespiratória
consumo de oxigênio
acidente vascular cerebral