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As lesões do ligamento cruzado posterior (LCP) geralmente são graves, com efeitos devastadores.1 A principal função é resistir a translação posterior da tíbia em relação ao fêmur.2 Cerca de 60 a 95 % das lesões do LCP estão associadas às lesões capsuloligamentares adicionais. Embora nas lesões graves (grau III) o tratamento cirúrgico seja o mais recomendado, em pacientes sintomáticos, a cirurgia é evitada.3 Este estudo teve como objetivo descrever os efeitos do tratamento conservador, por um dinamômetro isocinético, na funcionalidade e no desempenho muscular de um atleta profissional de futebol após uma lesão de LCP grau III. Participou do estudo um atleta de futebol do sexo masculino, 23 anos, com diagnóstico de lesão de LCP grau III associada à ruptura parcial do ligamento colateral medial e lesão em “flap” do menisco medial. Para o estudo, aprovado pelo CEP, foram realizadas duas avaliações do atleta, uma antes do início do programa de tratamento e outra ao final. Os desfechos avaliados foram funcionalidade, medida por meio do questionário Lower Extremity Functional Scale (LEFS-Brasil) (0-80, quanto maior, melhor) e desempenho muscular (dinamômetro isocinético). O programa consistiu em 23 sessões - nove semanas. Cada sessão foi subdividida em um período de aquecimento, seguida dos exercícios de fortalecimento isocinético e finalizada com exercícios de alongamento de membro inferior. Para o desfecho funcionalidade, o indivíduo passou de um escore 71 no questionário LEFS-Brasil, o que indica 88,7 % de funcionalidade dos membros inferiores, para 79, que indica 98,7 % de funcionalidade dos mmii. Quanto às variáveis de desempenho muscular, para a fase de extensão, foi observado um aumento no pico de torque/massa corporal (PT/MC) do membro envolvido de 2,6 N.m/kg para 4 N.m/kg (60 0/s) e um aumento de 2 N.m/kg para 3,4 N.m/kg a 120 0/s. Para a flexão, foi observado um aumento no PT/MC de 1,8 N.m/kg para 2,3 N.m/kg a 60 0/s e de 1,6 N.m/kg para 2,1 N.m/kg a 120 0/s. A relação agonista/antagonista do membro envolvido após o tratamento foi de 62,4 % (67,8 % no início), próximo aos valores normativos. Conclui-se que o programa proposto teve um efeito positivo sobre a funcionalidade e o desempenho muscular verificado pelas variáveis PT/MC e relação agonista/antagonista de um atleta profissional de futebol, com lesão de ligamento cruzado posterior, não sendo necessário o procedimento cirúrgico.
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