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Introdução: O sistema neuromuscular é responsável por gerar atividades musculares adequadas para manutenção do equilíbrio corporal e, uma vez que a COVID-19 pode gerar danos a esse sistema, sequelas no longo prazo potencialmente podem alterar o controle do balanço.
Objetivos: Esse estudo buscou avaliar as alterações do equilíbrio postural em pacientes com síndrome pós-COVID-19 (SPC) e, secundariamente, avaliar as correlações dessas alterações com fadiga geral, força muscular e qualidade de vida (QV).
Método: Trata-se de um estudo transversal em que 40 pacientes com SPC e 40 controles submeteram à avaliação do balanço através da escala de balanço de Berg (EBB) e do teste de Tinetti. Eles também foram avaliados para fadiga geral usando a escala Functional Assessment of Chronic Illness Therapy-Fatigue (FACIT-F), handgrip strength (HGS), e QV usando o Short Form-36 (SF-36). Os resultados são apresentados como mediana e intervalos interquartílicos. A comparação foi avaliada pelo teste t de Student ou Mann-Whitney, sendo usada a correlação de Spearman. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Augusto Motta.
Resultados: Os pacientes com SPC apresentaram menores pontuações na EBB [55 (46–56) vs. 56 (56–56) pontos, P = 0,001] e no teste de Tinetti [27 (22–28) vs. 28 (27–28) pontos, P = 0,001]. A pontuação na FACIT-F foi menor nos pacientes [39,5 (28–46) vs. 48,5 (41–52) pontos, P = 0,0001]. A HGS foi menor nos pacientes, embora sem diferença estatística [26,7 (22–36) vs. 28,5 (23–36) kgf, P = 0,71]. Os pacientes mostraram piores avaliações nas seguintes dimensões do SF-36: funcionamento físico [90 (66–100) vs. 100 (86–100), P = 0,032]; limitações do papel físico [87,5 (50–100) vs. 100 (100–100), P = 0,003]; dor corporal [52 (41–82) vs. 84 (74–84), P = 0,0004]; percepções gerais de saúde [60 (52-67) vs. 66 (52–-80), P = 0,044]; e saúde mental [70 (49–92) vs. 84 (81–92), P = 0,009]. Tanto a EBB quanto o teste de Tinetti correlacionaram significativamente com FACIT-F, HGS e 2 dimensões do SF-36: limitações do papel físico e limitações do papel emocional.
Conclusão: Nossos resultados indicam que pacientes com SPC mostram pior equilíbrio corporal, o que aponta para um maior risco de quedas. Nesses pacientes, há maior fadiga geral e pior QV. Além do mais, há associação do controle do equilíbrio com fadiga geral, HGS e QV. Assim, a avaliação rotineira do controle do equilíbrio deve ser considerada no acompanhamento desses pacientes.
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