Sintomas de sensibilização central tem relação com a severidade da disfunção em mulheres com DTM crônica?

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Oral
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Resumo

Introdução: Os mecanismos neurofisiológicos envolvidos na sensação dolorosa produzida nas disfunções temporomandibulares (DTMs) ainda não estão bem estabelecidos. A sensibilização central do sistema trigeminal e periférico pode estar relacionada com a evolução não satisfatória do tratamento dessa disfunção. Objetivo: Descrever e classificar a intensidade dos sintomas relacionados à sensibilização central e verificar sua relação com a severidade da DTM em mulheres com DTM crônica. Método: Estudo transversal, aprovado pelo CEP/FCE/UnB (n. 3.095.054). Foram selecionadas mulheres, com idades entre 18-59 anos e dor orofacial há mais de 3 meses. Foram coletados dados sócio demográficos das participantes e aplicou-se o RDC/TMD (Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders) para diagnóstico e classificação da DTM. A sensibilização central foi avaliada através Central Sensitization Inventory (CSI), um questionário que avalia a presença e o grau de sintomas relacionados a esta condição nos últimos três meses, sendo classificados como: subclínicos (0-29 pontos), leves (30 e 39 pontos), moderados (40-49 pontos), severos (50 a 59 pontos) e extremos (60 a 100 pontos). A severidade da disfunção foi mensurada pelo Índice Anamnésico de Fonseca (IAF). Os dados foram analisados descritivamente e a correlação foi analisada pelo teste r de Pearson (classificação: fraca r<0,4; moderada 0,4<r<0,7 e forte r>0,7). Calculou-se a variância compartilhada por meio do r2. Resultados: Participaram do estudo 25 mulheres com média de idade de 35,9 anos (DP:13,7). De acordo com o RDC/TMD, 72% das participantes apresentaram DTM mista (dor miofascial e artralgia), seguidas por dor miofascial (24%). A média do CSI foi 50,88 (DP:15,99) e do IAF foi de 73 (DP: 11,18). As participantes foram assim classificadas: 8% com CSI subclínicos, 16% leves, 16% moderados, 36% severos e 24% extremos. Foi observada correlação significante e moderada entre o escore de CSI e o IAF (r=0,445, r²=19,8%). Conclusão: Observamos escores severos de sensibilização central e DTM em mulheres com DTM crônica. Demonstramos que maiores escores de sintomas de sensibilização central tem relação moderada com a severidade da DTM. Tais achados sugerem que é importante investigar sintomas de sensibilização central em pacientes com DTM crônica, especialmente em casos de maior severidade, visto que fatores comuns podem ser responsáveis por estas condições. Entretanto, sugere-se cautela considerando-se a variância compartilhada de apenas 19%. Descritores: Transtornos da Articulação Temporomandibular; Dor Crônica; Sensibilização do Sistema Nervoso Central.

Instituições
  • 1 Universidade de Brasília (UnB/DF)
  • 2 Universidade de Brasília
  • 3 Hospital Universitário de Brasília
Eixo Temático
  • A06. Fisioterapia na Saúde e Funcionalidade do Adulto