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Resumo

Introdução: O tratamento do câncer causa desconforto, sofrimento e estresse, além de internações hospitalares prolongadas, alterando hábitos comuns próprios da infância podendo levar à limitações decorrentes das deficiências e incapacidades geradas pela condição de saúde e pelo tratamento, além de trazer o medo da dor, do sofrimento, da mutilação e a insegurança em relação ao futuro devido ao risco de morte. Objetivo: Avaliar a qualidade de vida relacionada a saúde (QVRS) e a funcionalidade de crianças e adolescentes com câncer, e a relação entre esses fatores. Metodologia: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora. Estudo observacional do tipo transversal que incluiu 33 crianças e adolescentes de 2 a 18 anos, ambos os sexos, diagnosticados com câncer e apoiados pela Fundação Ricardo Moysés Junior (FRMJ) na cidade de Juiz de Fora-MG que estavam ainda em fase de tratamento ou fase de controle da doença. Foram utilizados os questionários Pediatric Quality of Life Inventory Module Cancer (PedsQL) para avaliar a qualidade de vida e Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade – teste adaptativo de computador (PEDI-CAT) para avaliar a funcionalidade. Resultados: O estudo encontrou que crianças e adolescentes em tratamento oncológico apresentam uma QVRS considerada ruim, tanto segundo relato dos pais quanto segundo relato deles mesmos. A concordância entre a percepção da QVRS dos filhos pelos pais e por eles mesmos foi de 79% (r=0,79), o que pode ser considerada uma concordância alta. Isso significa que as crianças entendem o processo da doença e conseguem perceber o impacto do tratamento em sua QVRS, assim como seus pais. Quanto a funcionalidade, os resultados demonstraram que crianças e jovens com idades superiores a 8 anos de idade apresentam chance de demonstrar a mobilidade 22 vezes pior do que crianças menores que 8 anos de idade (OR=22,0; p<0.001). Na análise de associação entre a qualidade de vida relacionada à saúde e a funcionalidade, foi realizado o teste de correlação de Pearson entre PEDI-CAT e PedsQL total que demonstrou correlações fracas à moderadas: 0,214<r<0,533. Conclusão: A qualidade de vida relacionada à saúde não reflete diretamente na funcionalidade de crianças e adolescentes com câncer, apesar de ambas apresentarem comprometimento durante o tratamento desta condição. Estratégias para melhoria da QVRS e para mudanças na funcionalidade de crianças e jovens com câncer devem ser traçadas por todos profissionais de saúde que trabalham com essa população. Descritores: Neoplasias; criança; adolescente.

Instituições
  • 1 UFJF/MG
  • 2 INCA/RJ
Eixo Temático
  • A05. Fisioterapia na Saúde e Funcionalidade da Criança e Adolescente