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Resumo

Introdução: O sono é um estado fisiológico ativo integrado ao ritmo circadiano de sono-vigília. Ele é regulado anatomicamente pelo núcleo supraquiasmático, que depende do estímulo aferente de energia luminosa. Assim, acredita-se que indivíduos com alguma deficiência visual podem apresentar maiores distúrbios do sono em consequência da menor ou não existente recepção de luz. Objetivo: Observar características do sono em indivíduos com cegueira. Métodos: Trata-se de um estudo seccional, descritivo realizado entre de março e junho de 2019 em uma associação de cegos localizada em um município da região Nordeste do Brasil, aprovado pelo comitê de ética e pesquisa. Foram convidados a participar da pesquisa todos os participantes da instituição que possuíam frequência ativa, adultos com cegueira, sem discriminação de sexo. Os critérios para exclusão foram possuir algum problema de ordem mental ou auditiva diagnosticada, que limitassem a resposta ao instrumento de coleta proposto, não possuir opções para contato via telefone ou não atender o telefonema para as entrevistas após três tentativas. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se um questionário estruturado para avaliar questões sociodemográficas, e dados sobre o problema visual e um diário do sono. Após o primeiro encontro presencial os participantes foram convidados a responder durante sete dias o diário do sono por meio de ligação telefônica. Os dados foram analisados com estatística descritiva, utilizando o software EpiInfo versão 7.6. Resultados. Participaram 18 indivíduos, 55,6% do sexo masculino, com média de idade de 50,1 ±16,1 anos. Quando a deficiência visual 11,1% adquiriu ao longo da vida e 61,1% possuíam alguma percepção de luz. Foram analisadas 126 noites de sono. Os participantes foram dormir em médias às 22h±1h e se levantaram em média às 6h±1h. O tempo de latência do sono foi maior que 30 minutos em 26,6% das noites, com tempo de sono de 6,3h±2,3h. Ocorreram episódios de despertares em 62,7% das noites, sendo que 39,9% foram para urinar. Entre os participantes 42,1% classificou o sono como bom, acordavam bem (44,4%) e possuíam um bom dia (56,3%). Ocorreram cochilos em 38,1% dos dias, que aconteciam 35%, de 1 a 3 vezes ao dia. Conclusão: Pessoas com cegueira possuem redução no tempo de sono diário, com incremento no tempo de latência do sono e número de cochilos. Descritores: Sono, Cegueira.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Eixo Temático
  • A06. Fisioterapia na Saúde e Funcionalidade do Adulto