RELAÇÃO ENTRE O ALINHAMENTO DO PÉ E A RESISTÊNCIA PASSIVA DO COMPLEXO ARTICULAR DO MEDIOPÉ

Vol.02 N.01-2018 - 138311
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Resumo

Introdução: Estudos recentes têm demonstrado relações entre medidas clinicas de alinhamento do pé e alterações biomecânicas da marcha e postura, como pronação aumentada do pé. Entretanto, não se sabe quais componentes mecânicos do pé, como alinhamento ósseo, torque e rigidez passiva do complexo articular do mediopé (CAM), influenciam nos resultados obtidos a partir dessas medidas clínicas de alinhamento. Este estudo avaliou se a medida clínica do ângulo antepé-perna está relacionada com o torque e rigidez passivos do CAM. Métodos: 28 homens e 21 mulheres (idade 26±5 anos), saudáveis e assintomáticos participaram do estudo. O torque de resistência passiva e o ângulo do CAM foram mensurados por meio de um instrumento denominado torsímetro (contém um torquímetro estático axial e um potenciômetro). Cada participante foi posicionado assentado, com o joelho em 45º de flexão e com o tornozelo em 0º no plano sagital. O antepé, retropé e a perna foram mantidos fixos de forma a não haver movimentos em articulações proximais e distais ao CAM. Os voluntários foram orientados a manter o pé e a perna relaxados. Três repetições do movimento de torção passiva do antepé em relação ao retropé (inversão do CAM) foram realizados a 2°/s pelo examinador, quando foram gravados os valores de torque passivo e ângulo a 100Hz. A rigidez passiva (Nm/º) foi calculada como a inclinação máxima da curva torque passivo vs. ângulo normalizada pela massa do indivíduo. O torque passivo do mediopé foi calculado como o valor máximo de torque na amplitude de -20º a +50º de inversão do antepé e também normalizado pela massa. A medida clínica do ângulo antepé-perna foi realizada com fotos e o software SIMI, de acordo com descrição da literatura. Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética da UFMG (CAAE 78785717.7.0000.5149). Correlações de Pearson foram usadas para análise estatística (α=0,05). Resultados: Observaram-se correlações baixas e significativas da medida do ângulo antepé-perna com o torque normalizado máximo (r = - 0,308; p=0,031) e com a rigidez normalizada máxima (r = - 0,284 p =0,048). Discussão: Quanto maior o ângulo antepé-perna medido clinicamente, menor é o torque e a rigidez passivos do CAM. As baixas correlações sugerem que a medida de alinhamento do pé é influenciada também por outros fatores, ainda não identificados. Essa medida clínica parece informar, parcialmente, sobre a resistência passiva do CAM. Descritores: antepé; mau alinhamento ósseo; ortopedia. Agradecimentos: Esse trabalho foi financiado pela agência governamental FAPEMIG.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eixo Temático
  • C05. Fisioterapia na Saúde e Funcionalidade do Adulto