Força muscular periférica e capacidade de exercício em pacientes com Escoliose Idiopática do Adolescente

Vol.02 N.01-2018 - 138561
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Resumo

Introdução: Estudos prévios revelam que pacientes com escoliose idiopática do adolescente (EIA) apresentam, além das alterações respiratórias, diminuição da capacidade funcional de exercício, independente da gravidade da doença. As causas desse fenômeno ainda são desconhecidas, mas estudos sugerem que o precursor dessa limitação seja a disfunção muscular dos membros periféricos. Objetivos: Avaliar as possíveis correlações entre força de músculos periféricos e respiratórios, capacidade de exercício e deformidade da coluna vertebral em pacientes com EIA. Metodologia: Estudo transversal (CAAE: 1.349.351), que avaliou 44 adolescentes com EIA, de ambos os sexos, de 10 a 18 anos. A função muscular de membros inferiores foi avaliada por meio de um dinamômetro isocinético de acordo com métodos previamente descritos. Foram registradas as seguintes variáveis: pico de torque (PT), trabalho total (TT) e potência (P) para 60° e 300° de flexão e extensão. A força dos músculos respiratórios foi mensurada de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e foi registrado a pressão expiratória máxima (Pemáx). A aptidão cardiorrespiratória foi analisada por meio da distância no Incremental Shuttle Walking Test (ISWD). E a deformidade vertebral foi mensurada pelo método Cobb. Os dados foram avaliados descritivamente e para as correlações foram utilizados os coeficientes de correlação de Pearson e Spearman. A probabilidade de erro alfa foi estipulada em 5% para todas as análises. Resultado: Os pacientes apresentaram mediana de idade de 14 [12-16] anos. Foram observadas correlações moderadas entre o ISWD e a flexão de 60º/s, P (r= 0,607 e p< 0,001) e entre a flexão de 300º/s, P (r= 0,612 e p< 0,001). Além disso, foram encontradas correlações entre Pemáx. e Cobb torácico proximal (r= -0,519 e p=0,003); flexão de 60º/s, PT (r= 0,594 e p< 0,001) e P (r= 0,583 e p< 0,001); flexão de 300º/s, P (r= 0,599 e p< 0,001); e extensão de 300º/s, TT (r= 0,588 e p <0,001) e P (r= 0,612 e p< 0,001). Conclusão: Foram observadas associações entre a força muscular periférica, a capacidade funcional de exercício e a força respiratória em pacientes com EIA. Além da correlação entre a deformidade vertebral e a força de músculos respiratórios. Os resultados obtidos devem servir de base para incentivar mais estudos sobre a associação entre a capacidade funcional de exercício e a disfunção muscular em pacientes com EIA. Descritores: Aptidão física; Escoliose; Força muscular.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de São Paulo
Eixo Temático
  • C04. Fisioterapia na Saúde e Funcionalidade da Criança e Adolescente