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Introdução. A equoterapia é uma modalidade terapêutica complementar que busca promover mudanças na funcionalidade de crianças e jovens com paralisia cerebral (PC). Conhecer os domínios nos quais essa terapêutica provoca efeitos tanto diretos como indiretos, e identificar os mecanismos que produzem os respectivos efeitos, contribui para ampliação e aprofundamento do conhecimento disponível sobre a equoterapia. Para isso, o presente estudo utilizou os modelos Treatment Theory (TT) e Enablement Theory (ET) para analisar os efeitos da equoterapia sobre crianças e jovens com paralisia cerebral de diferentes idades, topografias e gravidades. Objetivo: O objetivo principal deste estudo foi avaliar mudanças no controle postural e equilíbrio, função motora grossa e qualidade de vida (QV) de crianças e jovens com PC submetidas à equoterapia durante um período de seis meses. Método: Foi realizado um estudo quase-experimental de grupo único (n=31) com acompanhamento longitudinal de seis meses incluindo três medidas repetidas (T1, T2, T3). Para avaliar o controle postural e equilíbrio e a função motora grossa foram utilizados os testes Early Clinical Assessment of Balace (ECAB) e Medida da Função Motora Grossa (GMFM-88), respectivamente. A QV foi mensurada por meio de entrevista com o cuidador principal do participante utilizando o Questionário de Qualidade de Vida de Crianças com Paralisia Cerebral: questionário para cuidadores primários (CPQOL-Child). Os participantes foram estratificados por idade (04-07 anos e 08-12 anos), gravidade (leve, moderada e grave), topografia dos membros envolvidos (diplegia, hemiplegia e quadriplegia) e tempo prévio de equoterapia (entre 3-6 meses e mais de 6 meses). Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE: 42678815.3.0000.5149) Análise estatística e Resultados: Os resultados revelaram que as crianças e jovens com PC apresentaram ganhos significativos em todos os desfechos, independente de sua idade e características da condição da PC.. Em todas as análises foi considerado um nível de significância α=0,05. Conclusão: O modelo de análise proposto com base na taxonomia de tratamentos em reabilitação (TT e ET) permitiu interpretação diferenciada dos efeitos promovidos pela equoterapia, identificando mecanismo de ação (o passo do cavalo e as demandas de retificação) e respectivos ingredientes-ativos (ativação dos músculos envolvidos na retificação postural, estímulos vestibulares e informações visuais), desfecho-alvo (controle postural e equilíbrio) e desfechos indiretos que ampliam os benefícios funcionais dessa terapêutica (função motora grossa e QV). Recomendamos que as relações propostas e estrutura sugerida do modelo de análise sejam testadas empiricamente, de forma a consolidar a equoterapia pautando-a em evidências científicas sólidas.
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