Discrepância de membros aumenta a rotação externa de pelve e tronco de indivíduos com osteoartrite de joelho

Vol.01 N 01-2016 - 137600
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Resumo

Introdução. O risco de desenvolver osteoartrite (OA) de joelho ao longo da vida é de aproximadamente 45%. Um estudo longitudinal prévio demonstrou que discrepância de comprimento de membros (DCMI) maior que 1 cm está associada com maior chance de possuir OA de joelho radiográfica no membro inferior mais curto (53% vs 36%, razões de chances de 1,9). Além disso, indivíduos com OA de joelho apresentam maior prevalência de dor lombar. Dessa forma, é possível que a DCMI moderada afete a biomecânica de pelve e tronco e consequentemente contribua para aumento da sobrecarga sobre a região lombar de indivíduos com OA de joelho. Objetivos. Investigar os efeitos da discrepância de comprimento de membros moderada sobre o deslocamento angular de pelve e tronco durante a marcha de indivíduos com OA de joelho. Método. Foram coletados dados cinemáticos da pelve e tronco durante a marcha de 15 indivíduos com OA de joelho em duas condições diferentes: (1) condição controle - calçando sandálias planas e grossas em ambos os membros; (2) condição membro curto - sandália plana e fina no membro com OA e sandália plana e grossa no membro oposto. A condição membro curto induziu discrepância de comprimento de membros de 1,45 cm. Os deslocamentos angulares de pelve e tronco, nos 3 planos de movimento, durante a fase de apoio da marcha do membro com OA, foram analisados. Foi utilizado o sistema Qualisys (Oqus), composto por 12 câmeras, sincronizado a 6 plataformas de força. Análise de componentes principais foi utilizada para reduzir os dados e, em seguida, os escores gerados a partir da análise foram comparados entre as duas condições usando teste t pareado com α=0,05. Esse trabalho foi aprovado pelo comitê de ética da instituição sob o número 6007495.
 Resultados. Durante a condição membro curto, os indivíduos apresentaram aumento da rotação externa de pelve (p = 0,023; tamanho de efeito=0,55) e tronco (p = 0,001; tamanho de efeito=0,77) durante toda a fase de apoio da marcha. Conclusão. DCMI moderada aumenta a rotação externa de pelve e tronco durante toda a fase de apoio da marcha, o que pode contribuir para o desenvolvimento de dor lombar nesses indivíduos, já que 54,5% dos indivíduos com OA de joelho apresentam dor lombar. Os resultados deste estudo sugerem que DCMI moderada não deve ser clinicamente negligenciada em indivíduos com OA de joelho, já que ela pode ser corrigida com o uso de palmilhas.

Instituições
  • 1 Wilfrid Laurier University
  • 2 Queen's University
  • 3 Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • 4 Universidade Federal de Minas Gerais
Eixo Temático
  • 07. Fisioterapia na Funcionalidade Humana