A UNIVERSIDADE NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO SUS: UM OLHAR ACADÊMICO

Vol.01 N 01-2016 - 138077
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Resumo

Introdução: A criação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) ampliou a cobertura assistencial e evidenciou a necessidade de agregar profissionais de distintas áreas a fim de assegurar a integralidade na atenção à saúde. Nessa perspectiva cria-se o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), trazendo a necessidade de que o modelo de ensino em saúde vigente no Brasil (que privilegia a expansão do ensino clínico, enfatizando a pesquisa biológica) esteja de acordo com os princípios do SUS e diretrizes do NASF e que seja aprendido no cotidiano da produção e da prestação de serviços. Objetivo: Analisar a percepção dos acadêmicos do último período dos cursos de graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que atuam no NASF, sobre o impacto de sua formação acadêmica na aquisição das competências e saberes específicos para atuação no NASF. Metodologia: Trata-se de um corte transversal, envolvendo 68 acadêmicos dos cursos de Graduação em Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional da UFPE, realizado no período de março a dezembro de 2015 com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Na coleta de dados utilizou-se um questionário semiestruturado, elaborado pelos pesquisadores, e dados tabulados no Microsoft Excel 2016. Não houve distinção entre os cursos para análise dos dados, que foi realizada pelo software SPSS 20.0, com suas variáveis apresentadas em valores percentuais. Resultados: Na ótica dos estudantes, o currículo contemplou disciplinas que possibilitaram a formação para atuar na Atenção Primária a Saúde (82,35%), porém a preparação teórica (67,64%) e prática (83,82%) foram consideradas insuficientes para a atuação com segurança. Os projetos de extensão, do Ministério da Saúde e disciplinas não obrigatórias foram as formações extracurriculares mais frequentes para obter maior capacitação para atuar no NASF. As experiências interdisciplinares estiveram presentes em 77,94% dos relatos. Os acadêmicos participaram de atividades nas Unidades de Saúde da Família (61,76%), entretanto, apenas 39,70% participaram de atividades específicas do NASF. Apesar de 47,1% afirmarem incluir os princípios do SUS na prática profissional, 66,17% não se sentem preparados para planejar ações junto ao NASF. Conclusão: Apesar das disciplinas de Saúde Pública e Coletiva e das experiências em comunidade, vinculadas ou não a ESF, a percepção dos acadêmicos evidencia a necessidade de mudanças nos currículos de seus cursos, possibilitando uma melhor atuação no SUS, sensibilizando as Instituições de Ensino, serviços de saúde, gestão e os dispositivos de controle social sobre a construção de atividades integradas.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Pernambuco
Eixo Temático
  • 05. Gestão e Controle Social