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Introdução: A partir do Relatório Flexner (1910), o modelo de ensino em saúde no Brasil privilegiou a expansão do ensino clínico, conduzindo a prática em saúde na direção da superespecialização. No intuito de nortear a construção de perfis curriculares com competências e habilidades condizentes com as necessidades do SUS, tem-se, em 2002, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), estimulando a inserção precoce do estudante no SUS2,3. Há quatorze anos as DCN das profissões envolvidas no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) não sofreram alteração, proporcionando poucos avanços no ensino em saúde. A formação acadêmica representa hoje um papel de suma importância para a construção de um SUS democrático, equitativo e eficiente5. Objetivo: Analisar a percepção dos acadêmicos do último período dos cursos de graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que atuam no NASF, sobre o impacto de sua formação acadêmica na aquisição das competências necessárias para atuação no NASF. Metodologia: Trata-se de um corte transversal, envolvendo 68 acadêmicos dos cursos de Graduação em Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional da UFPE. Foi realizado no período de março a dezembro de 2015 e teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Na coleta de dados utilizou-se um questionário semiestruturado, construído pelos pesquisadores, e os dados tabulados no Microsoft Excel 2016, não havendo distinção entre os cursos para análise dos dados, análise esta realizada no software SPSS 20.0 e as variáveis apresentadas em valores percentuais. Resultados: O currículo contemplou em 82,35% disciplinas que possibilitaram a formação para a atuação na Atenção Primária a Saúde (66,2% da amostra possuíam de 2 a 4 disciplinas em sua estrutura curricular), porém a preparação teórica (67,64%) e prática (83,82%) foram consideradas insuficientes para uma atuação com segurança na área. Apesar de 83,82% sentirem necessidade que ocorra mudanças no currículo, apenas 25% dos acadêmicos buscaram formação extracurricular (Projetos de extensão, do Ministério da Saúde e disciplinas não obrigatórias foram as mais frequentes). As disciplinas de Saúde Pública e Coletiva foram a principal potencialidade a possibilitar uma atuação mais eficaz junto ao NASF (39,70%) e as experiências interdisciplinares estiveram presentes em 77,94% dos relatos. Conclusão: O estudo identifica que existem fragilidades nos currículos e identifica a necessidade de mudanças na formação para uma melhor atuação junto ao NASF, sensibilizando instituições de ensino, serviços de saúde, gestão e os dispositivos de controle social para a construção de atividades integradas.
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