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INTRODUÇÃO A prevalência de transtornos mentais sofreu vertiginoso aumento nas últimas décadas, sendo que quase um bilhão de pessoas estavam em sofrimento psíquico em 2019, sendo 14% adolescentes (1). De todas as doenças mentais, metade começa antes dos 14 anos (2). Vulnerabilidade socioeconômica têm maior prevalência de pior desfecho. A Organização Mundial de Saúde apontou a necessidade de abordagem mais atenta à saúde mental na infância. Porém, trabalhos indicam o pouco conhecimento por profissionais da atenção básica dos transtornos mentais da infância (3). O presente estudo objetiva refletir sobre a necessidade de médicos de família e comunidade (MFC) assumirem a partir de um caso clínico de transtorno mental infantil. DESCRIÇÃO DO CASO Chamou a atenção a precariedade dos cuidados com a higiene bucal da criança. Teve dificuldade em reconhecer letras do alfabeto e o próprio nome, habilidade já esperada para a faixa de 5 anos. Identificou-se dificuldade sócio afetiva que compromete seu rendimento e permanência nas atividades coletivas e comportamento agressivo, direcionado aos colegas, educadores e cuidadores. Apresentou bom desenvolvimento da fala e marcha normais, até o primeiro ano de vida. Porém, atualmente a criança não atende às intervenções quando está desobedecendo e havia autolesão. Fez consultas com fonoaudiólogo, otorrinolaringologista, psicólogo, pediatra, além de encaminhamento para psiquiatra e neurologista. Foi receitado o uso de risperidona e fluoxetina por suspeita de Transtorno Desafiador de Oposição. DISCUSSÃO A insuficiência familiar se reflete na falta de cuidados de higiene bucal e é fator de risco e persistência dos transtornos da infância (4). Os transtornos de neurodesenvolvimento são confundidos com etapa normal do desenvolvimento e os critérios diagnósticos ainda são pouco explorados pelos MFC quando comparados aos transtornos nos adultos. A dificuldade de acesso à saúde de qualidade tem sido um agravante no suporte à criança, o que remete à necessidade de que MFC “tem um potencial de detectar as primeiras queixas referentes ao sofrimento psíquico infanto-juvenil” e pode prover escuta qualificada, oferecer manejo no território, e encaminhar para demais serviços (5). CONCLUSÃO É notória a complexidade da avaliação da saúde mental na infância. Mais que isso, é importante que médicos de família tenham maior direcionalidade na sua formação para que a saúde mental de crianças seja melhor qualificada
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