Relato de experiência: atuação do projeto Abraços Grátis na cidade de Cacoal-RO.
Introdução: O ato de abraçar pode ser considerado promotor do bem-estar e, portanto, um importante veículo de transmissão de saúde. Na APS, o médico deve estar preparado para atuar não apenas frente às doenças orgânicas, mas também no sentido de garantir o bem estar global do paciente, nas esferas psíquicas e emocionais. A campanha de abraços grátis já existe há algum tempo, sendo que seu primeiro registro oficial remonta ao ano de 1986 quando o Reverendo Kevin Zaborney criou em sua igreja o Dia Nacional do Abraço, passando a ser celebrado todo ano no dia 21 de janeiro. Em relatos de pessoas atingidas pela campanha, nota-se o teor positivo do ato, que fez com que os participantes se sentissem psicologicamente melhores após receberem um abraço sem maiores justificativas. O contexto em que a campanha se insere é, então, o de promover o bem-estar emocional e psicológico garantindo saúde em aspecto integral. Além disso, essa demonstração de afeto age contra os efeitos noviços do estresse – tão presente na atual sociedade – já que atua sobre os hormônios cortisol e ocitocina.
Objetivos: Relatar a experiência dos acadêmicos de medicina ligados a IFMSA Brazil (Federação Internacional das Associações de Estudantes de Medicina do Brasil), com intuito de promover a distribuição de abraços em local público, tentando trazer a tona os sentimentos de humanização dos futuros profissionais e despertar o bem-estar das pessoas como forma de saúde em seu aspecto integral.
Métodos: Para a realização da campanha, contou-se com uma capacitação ministrada pelo professor Me. Dr. em psicologia Cleber Lizardo de Assis, garantindo um preparo que segue o desejo da Medicina de Família em Comunidade de atenção interdisciplinar. A campanha foi realizada nos locais de maior fluxo de pessoas em Cacoal – RO, não contando com divulgação, pois seu objetivo era abordar com um ato inusitado para os passantes. O contato inicial foi com a frase “Você poderia me dar um abraço?”. O impacto foi mensurado com base nas respostas e quantidade de pessoas abordadas.
Resultados: Numericamente, foram abraçadas 924 pessoas de várias faixas etárias com 34 indivíduos que negaram o abraço. Despertou-se nos acadêmicos participantes a noção da importância do contato humano e empatia com o próximo, agregando à sua vida profissional e contribuindo com o Método Clínico Centrado no Paciente. A população alcançada elogiou a iniciativa, que atuou em prol da melhoria de seu estado emocional contribuindo para difundir afeto e carinho para seu convívio, tornando maiores o amor, respeito e consideração pelo próximo à medida que cresce o hábito da “terapia do abraço”.
Conclusão: O profissional médico deve estar preparado para atuar de forma a atender as necessidades da população adstrita de maneira integral, abordando não apenas as disfunções orgânicas que este apresenta, bem como as características psicossociais nas quais ele está inserido. O projeto confere esse preparo, a partir do momento em que estimula os acadêmicos a considerarem o bem-estar global do indivíduo, com o abraço simbolizando o contato humanizado entre médico-paciente, garantindo empatia e promoção de saúde.