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Redução da acuidade visual durante tratamento da tuberculose pulmonar – Relato de caso

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Introdução: A tuberculose (TB) qualifica-se como doença infecciosa crônica, cujo agente etiológico é o bacilo Mycobacterium tuberculosis. Segundo a OMS cinco medicamentos são considerados essenciais para o tratamento da TB: isoniazida (H), rifampicina (R), pirazinamida (Z), estreptomicina (S) e etambutol (E). Atualmente o esquema de tratamento para os novos casos da doença é o 2HRZE/4HR. As reações adversas oriundas do tratamento constitui um importante fator de não adesão ao mesmo. O etambutol é a droga mais comumente implicada no comprometimento da função visual. Objetivo: Estabelecer relação entre os medicamentos antituberculose com patologias que comprometem a acuidade visual. Métodos: Trata-se de um estudo de caso clínico, onde a coleta de dados deu-se através dos prontuários do paciente, disponíveis em uma Unidade Básica de Saúde e em um Hospital Universitário, ambos na cidade de Cuiabá-MT. Relato de Caso: Masculino, 48 anos, pintor residencial, morador da zona rural de Cuiabá-MT, diabético há cinco anos em tratamento. Paciente relata que no mês de dezembro do ano de 2015 iniciou quadro de dor difusa pelo corpo, de moderada intensidade, astenia, perda de peso importante, febre baixa vespertina e tosse seca. Procurou atendimento médico, onde foi prescrito anti-alérgico, pois associou-se a queixa de tosse às atividades laborais do paciente. Não havendo melhora do quadro clínico, foi até a USF dia 11/02/2016; na ocasião foi sugerido a realização de baciloscopia e raio x de tórax. Através da correlação do quadro clínico com o raio x foi diagnosticado tuberculose e iniciado tratamento de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde/OMS (três comprimidos de rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol, 150 mg + 75 mg + 400 mg + 275 mg) em 18/02/2016. A baciloscopia apresentou ++ na primeira amostra e +++ na segunda amostra. Após 12 dias de tratamento o paciente apresentou quadro clínico compatível com herpes zoster, sendo imediatamente tratado com aciclovir (800 mg, cinco vezes ao dia, por sete dias). Neste mesmo período foi realizado sorologias: VDRL, anti-HIV, HBsAg e anti-HCV, todas com resultados negativos. A segunda fase do tratamento para tuberculose teve início dois meses após o diagnóstico, e também seguiu os padrões do Ministério da Saúde/OMS (duas cápsulas de rifampicina + isoniazida, 300 mg + 200 mg). Após dois meses de início do tratamento da tuberculose, o paciente notou redução da acuidade visual do olho esquerdo, e após quatro meses o olho direito também apresentou diminuição da acuidade. Foi encaminhado ao oftalmologista, onde faz acompanhamento até o momento. A hipótese diagnóstica mais aceita entre os especialistas que acompanham o paciente é de neuropatia óptica. Conclusão: Da mesma forma que é importante curar a tuberculose, é igualmente importante preservar a visão dos pacientes. Para isso, é necessário a realização de avaliações periódicas do estado geral do doente. O etambutol é a droga mais comumente implicada no comprometimento da função visual, por isso, sua suspensão poderá ser indicada em determinadas situações.